e um dia o governo resolveu manifestar-se. Desceu as ruas, cartazes em punho, gritando aos sete ventos que o povo não fazia nada, era uns queixinhas copos de leite, queriam subsídios e mais subsídios, casas, carros, escolas, jardins, tribunais e hospitais, tudo ao pé de casa, uns queriam isto os outros aquilo, sem pensarem que não havia para todos, tudo puxa a brasa à sua sardinha, quem fica queimado é o governo e as próximas gerações, que falta de solidariedade mostrava este povo, que egoistas eram, bandalhos e preguiçosos, se não gostassem, que emigrassem. Que povo era este para terem esta constituição, que raio de leis eram aquelas que impediam de vender o país. Vão-se os anéis fiquem os dedos, para que se queixavam todos os dias? Pararam em frente ao centro comercial do Chiado, percorreram as ruas do comércio, veio a polícia e tiveram de barrar o governo, queria mesmo entrar, alguns até já o tinham conseguido, foram obrigados a abandonar o centro comercial, e todos presos, não tinham autorização para se manifestarem.

Na madrugada, já a alva anunciava o dia, vi que dormira e onde. Cansado. Dorido. A areia nunca foi boa cama. O frio húmido da madrugada acordara-me mas o cansaço adormecera-me. Foi assim toda a noite. Pés gelados. Aquela dormência, nem a dormir nem acordado, até agora. O cansaço dobrou e percebemos que dormimos qualquer coisa. Acordar. Noite de sobressalto. Medo.

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25 de Abril. Não sei porque não gosto das comemorações. Não sei se é assim convosco. E até aqui não sabia porque não gostava. E agora também não sei, mas tenho uma hipótese: é que ele é da rua, veio para a rua e protestou, enquanto que aqueles engalanados no parlamento, ano após ano, não protestam, não estão do nosso lado, quereriam que não tivesse ocorrido e não estão na rua.

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