quando

quando abraças, apertas, choras, baixas as guardas, páras de lutar, agarras, salvas, é quando te salta o mais humano, e te esmurra no fim: não valeram a pena tantas mortes, tanta loucura, tanta correria, tanta ansiedade, tanta miséria, fome, tristeza.

Valeria a pena perguntar a todos os  humanos se estariam interessados em repetir outra experiência de vida. Estou convencido que a maioria não o quereria.

Não estamos em lado nenhum, nem em tempo algum antes e depois da morte. Antes e depois não são parametrizáveis de nenhuma maneira, a não ser que estejas vivo. Só se estiveres vivo e só se o disseres enquanto. O tempo existe só nesse momento. Só nesse momento és humano.

amanhã

uma cigana abeirou-se e não me deixou falar. Foi tudo muito rápido. Vendia não sei o quê. “Que cara rapaz, você está mal” – parece que me disse isso. Não sei. Não consigo recordar. Aproximou-se mais. “Olhe rapaz, manhã é outro dia.” Devo ter feito uma cara de mau amigo e afastei-me e nunca mais esqueci aquelas palavras, mas é fácil esquecer, eu sei.