sorte

que sorte, temos a morte

o que seria viver por aqui eternamente

vendo tudo igual, como há 500 anos atrás

ou mais longe

até os gregos nos dizem o mesmo, seja na literatura ou noutra expressão qualquer

que sorte, temos a morte

gato escaldado

Não desejava mais, o meu corpo também não. O calor que já sentia era suficiente. Nem mais nem menos, suficiente, e mesmo no limite das minhas forças, dormir ao relento, viver na rua, ser empurrado pela chuva, agora recolhido, só isso mais nada. Talvez que todos o queiram ser, um dia pelo menos, ser recolhidos, do naufrágio, desta tempestade continua de tarefas atrás de outras, com lampejos de alegria, e mesmos esses, alguns, ilusões. Não queria inventar conjunturas e muito menos intrigas desnecessárias, inconvenientes até…, perspectivas obscuras sobre as intenções de almas assim, gente que não vive de outra coisa. O sentimento de gratidão era vivo e por isso hesitava, entre abraçar de corpo inteiro aquela gente ou escorregar pela mísera desconfiança. Já me tinham açoitado. Gato escladado de água fria tem medo.

O Fraco, Franz E.