coração está lá

Disseste tu mas não pensei eu -”fiz a minha vida aqui mas o meu coração está lá”- nem pensei e não sabia, que se podia viver estando o coração morto. Mas é assim. Andamos todos assim. Ou somos todos assim. Ou é mesmo assim, gerações atrás de gerações. O coração bate e trabalhamos para comer e sobretudo para dar de comer. A vida passou, como passou por outros, um arzinho leve e suave como seda, e já nada é nada quando amolecemos, com o coração sem vida. E lá vem um momento, se chegas a casa ou se abraças outra vida, se ficas para falar de coisa nenhuma, com um valente sorriso por dentro, uma gargalhada por fora, e vives. Ou se vem um resto de tarde fresco, ou se te sentaste numa madrugada limpa, junto ao mar ou a ouvir a passarada. E vives. E se caminhas vives -“Ainda bem que vivo.” -Dizes tu mas não ouvi eu. É disto que falo quando falamos de vida. E se tu sabes eu também pensei e se tu não dizes eu também não. Escrevo para te dizer, estando sozinhos não estamos, somos todos do mesmo barco, e passamos todos por tudo ou quase tudo, desde a felicidade à ternura, da miséria à tristeza.

ditadura

se o líder aparecer com esse projeto político, de matança, de desprezo pelo outro, podes ter a certeza que a ditadura acontece.

O desprezo e a raiva vivem dentro, a superstição e o preconceito, colar a culpa ao outro também, tudo isso morre só por fora de cada um de nós, anda isso tudo dentro, bem dentro, mesmo naqueles que estão contra, não te iludas, alguns o que não querem é fome, a democracia é um luxo, acerta altura a ditadura uma solução. Só espero que isto não passe pela guerra, mas se passar, o que fazer se não suportar e sobreviver. Entre mortos e feridos alguém há-de escapar, diz-se por ai.