agora

é uma vida inteira à procura

de outra pessoa maior do que tu

que acreditas escondida em ti

amanhã farás melhor

amanhã farás o que não fizeste

amanhã terás todos os olhos em ti

amanhã serás maior que a estrela maior

e amanhã já se passou tempo de ser

de aceitar isso que se é

o que és agora mesmo

agorinha

aqui mesmo

com os pés descalços sobre a areia que não é tua

mas sim, amanhã receberás um prémio por seres o que não és ou não consegues, ou não queres ser

amanhã ou daqui a dez anos

o que te garanto é que o que és, és agora.

interesse

E não é assim? Estamos por interesse, sempre!, ou há quem esteja por ser, não porque quer parecer. Existe alguém que se interesse pelo bem estar dos outros? Ou não? É mais a mistura. Cada um queda-se como sabe, pode, por interesse ou por altruísmo, por uma mistura dos dois, e outros pior, por goludisse. Ah vida malvada.

O Fraco, Franz E.

25 de Abril. Não sei porque não gosto das comemorações. Não sei se é assim convosco. E até aqui não sabia porque não gostava. E agora também não sei, mas tenho uma hipótese: é que ele é da rua, veio para a rua e protestou, enquanto que aqueles engalanados no parlamento, ano após ano, não protestam, não estão do nosso lado, quereriam que não tivesse ocorrido e não estão na rua.

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Se eu lhe fosse contar

Não posso. É verdade, não posso. Como lhe posso contar essa história. Por onde começo? E quando o farei? Como o faço? Dizem-me. Alguém me dá essa dica. Pode ser uma simples, mas digam-me que eu, coragem, não tenho. Vamos apertando, apertando, quase que que que… sai, quase que que e… pronto… voltamos atrás, recuamos e sentimos aquele doçura da desistência, fica para outra vez, não é assim tão importante, contamos para dentro, na próxima semana dir-lhe-ei, contar-lhe-ei, na próxima é que é, sei que terei a coragem. E na próxima semana recuamos, e na outra também, até que a ferida apodreceu sem as palavras, até que eu afundei no silêncio, porque não houve coragem de ser, é mais fácil parecer, embora isso se note, mesmo a um cego.

Tudo parece fictício, sem saber para onde vai,

como barco sem timoneiro que lhe valha,

ao largo da realidade, tudo parece

nada é,

quase tudo parece,

pouco é,

quando o que é,

são emoções, sorrisos e abraços chegados.