dar

antes disso, do dar, terá essa pessoa, quem deu, pensado nessa outra a quem deu, e isso será o melhor que alguém poderá fazer neste planeta não tão sombrio assim

o que andas tu a fazer

– “O rapaz não é daqui, pois não?” -perguntou

– “Não…”- Balbuciei embaraçado.

– “Sente-se à minha mesa … ao menos tenho companhia”- continuou. Se calhar não tinha percebido que o teria estado a observar. Aquele homem sentia-se só entre os homens, menosprezado, caminha só.

– “Não quero incomodá-lo.” – Disse, tentando demonstrar respeito;

– “O rapaz incomoda-me é ai estacado, sozinho; chegue-se … vá não seja tímido.” – queria falar – “ Não tenha medo, que medo tenho eu que a mim me façam mal.”

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crescer sempre

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Existe um momento para pensar no que andamos por aqui a fazer. E sempre que revisito esta história, interessa-me o pormenor do grande. Mais ainda do grandioso. E ainda mais do crescimento. É preciso crescer. Crescer sempre. Aumentar, aumentar sempre. E quando assim é, vamos atropelar alguém com toda a certeza. Mas verdade se diga, há um momento para pagar a conta: chega sempre, tarde ou mais cedo, não importa. Invariavelmente temos concluído o mesmo, agora como há dois séculos atrás: bem poderíamos estar sentados, a trabalhar a um ritmo bem menor, com ambições bem medidas, sem o parecer ser, mas querendo ser, há procura de não cortar a fatia maior, que ao mesmo lugar tínhamos chegado: “Tenho 45 anos e estou falido.”

There his a moment where we stop to think about about what are we doing here. Whenever I revisited this story, what interested me the most, its the detail of the big. Even more the biggest. And even more the growth. Growth is needed. We must growth always. Increase, increase always. And when this is the maine goal, you will run over someone, for sure. Well, the truth is, there his a moment to pay all this bill: it will arrives, latter or sooner, it doesn’t matter. Invariably, over the centuries, we came to same conclusion, over and over again: we could well be sitting, working at a lower rhythm, with lower ambitions, in order to be and not to show off only, being careful to not cut the biggest slice, that we will arrive to the same place: “I am 45 years old and I’m broke.”

Se eu lhe fosse contar

Não posso. É verdade, não posso. Como lhe posso contar essa história. Por onde começo? E quando o farei? Como o faço? Dizem-me. Alguém me dá essa dica. Pode ser uma simples, mas digam-me que eu, coragem, não tenho. Vamos apertando, apertando, quase que que que… sai, quase que que e… pronto… voltamos atrás, recuamos e sentimos aquele doçura da desistência, fica para outra vez, não é assim tão importante, contamos para dentro, na próxima semana dir-lhe-ei, contar-lhe-ei, na próxima é que é, sei que terei a coragem. E na próxima semana recuamos, e na outra também, até que a ferida apodreceu sem as palavras, até que eu afundei no silêncio, porque não houve coragem de ser, é mais fácil parecer, embora isso se note, mesmo a um cego.