o teu

Pois. Esse é mesmo o teu caminho. Sim. Tu que agora me lês e que acordas a pensar da infelicidade da sorte, aquilo que poderias ter feito e o que fizeste, por onde andaste e não devias, o que és e não queres, onde estás e não desejas, o que tens e poderias ter (o que menos interessa). Aceita. Onde estás, o que fazes e o que és. Se pensas, faz o que pensas. Mas aceita o que és assim, ponto.

setembro 2016, Franz E.

a cela que te encerra ou o que foste capaz de fazer

Sei ficar zangado. Sei que o mundo é mais complicado. Talvez não tenha é a consciência disso. Saber isso e ter consciência disso são duas coisas diferentes. Mais complicado se torna quando nos vamos debruçando sobre a sua loucura. E se pensamos muito, a coisa é tão intricada. Melhor é parar nalgum momento. E depois também custa fazer uma representação. Custa não ser sincero e trivial. Aceitar o teatro é difícil, vestir uma cara diferente, treinar uma cara diferente, consistente, é ainda mais difícil. Representar todos os dias, a cada minuto, personagens diferentes é outro sumo. Há um extremo de tudo isso: a mentira.

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farol

fica-se por aqui sentado, pensando, sempre pensando, este mente manhosa não nos deixa outra solução. Pensar. Recordar. Tarefar, uma atrás da outra. Organizar. E depois voltar à carga. Um trambolhar de tarefa em tarefa. Agenda cheia. Há um dia que olhamos para trás. Concluímos sempre o mesmo, esta vida corre depressa demais, sozinho nada se vale, o sucesso, esse malfado, não aparece. Mesmo enquanto teclamos a mente remói noutras coisas, espasmos vivos, imagens em palavras ou mesmo só imagens, lampejam: este texto é o texto, aquele que mudará tudo, aquele que transformará, aquele que te levará ao sétimo céu… pois… não é assim.

Se aquilo que fizeste tiver valor para os outros, são os outros que te levam aos ombros, não és tu que o decides, nem sequer sabes o que te levará aos ombros, a maior parte das vezes nem sequer sonhas o que te dará sucesso, noutras nem sequer soubeste que foste útil, outras ainda vais demorar a perceber que é mesmo isso que deves continuar, mesmo que não o queiras, e aquelas em que estiveste lá e não viste que o sucesso tinha chegado, noutras ainda desejas que o sucesso nunca te tivesse batido à porta..

Nunca sabemos, ou às vezes, no minímo sentimos que é isto, que está bem assim, que vai ser útil, elucidativo, que te expressaste bem, é desta… mas nada. Não há feedback nenhum.

Um pouco mais à frente na vida e já vais pensando que não são essas as coisas importantes. Importante é a tua rede social, os teus contactos, o que fizeste pelos outros, a ajuda que recebeste e a que deste, o simples que é muito, o pouco que é muito, e do nada que se faz alegria, mesmo que não te reste mais do que sobreviver para resistir, mesmo que o momento seja mau, sem este não te fazes pessoa, pessoa boa, digo.