O Fraco

[se vais à vida, vai com o peito de frente e o corpo todo por diante, sem adiar seja o que for, que envelhecer é possível e morrer certo.]

https://ofraco.wordpress.com/

vertice2

quem são estes?

quem são estes? se somos nós. Quem somos nós? se somos eu. quem sou eu? estas caras querem sair da foto. tu queres entrar nela. dizer “olá”. gostava de ouvir isso. saber em que dia foi tirada. e porque se deixaram fotografar. de que falaram antes e depois. saber ao que vão. para onde. são estes os meus. e sei isto. e aquilo. e faço. sou capaz disto e daquilo e não corro para lado nenhum. desprezo isto. gosto daquilo. sei da minha miséria. sei das injustiças que me vergam. só não sei da merda que ainda vou fazer. nem da bondade que vou deixar. podia ser diferente. mas não me arrastes para fora deste tormento. não conheço outro. não me toques. que não vou. e só irei se me empurrarem. se me apontarem uma pistola à pele. faço-o pelos filhos.

de dentro da ingenuidade salpicos de esperança. seria possível ao menos eregir-se uma estátua à pessoa desconhecida, àquelas que enchem as ruas. as casas. as terras. as aldeias. as cidades. correndo. escavando o alcatrão em busca de vida. a seguir ou antes disso. poderia a política terrestre incluir a voz das pessoas desconhecidas? é possível é. digo eu. bem vistas as coisas não sei se de facto é possível. não governei. não governo. não governarei. não conheço essa lado da coisa. o poder. dizem que é por isso que nós vamos ao poder. por essa emoção. nem sabia que era uma emoção. desejável talvez não. refiro-me à voz das pessoas. desejável talvez não fosse que pudessem falar. dizer. o que querem. e para onde querem. como querem. alguns têm a vontade de soltar esses tormentos que afogam a mente e fazem-no. mais ou menos ruidosos. fazem-no. mas é. é possível. é desejável. só podemos ir em conjunto. um a empurrar ou a bater. não. não tem futuro. como se viu. a história conta-o. diz até que acaba em guerra. queres guerra?

quem somos [por dentro]? é para essa resposta que serve a literatura.

http://www.ancientfaces.com/
ancient family

Arquipélago de Gulag – A.Soljenitsine

Aleksandr Solzhenitsyn
Aleksandr Solzhenitsyn

Um livro que nos apaga por algum tempo. O terror é possível? No nosso tempo?

Sim, é possível e é recorrente no tempo e no espaço, acontece, aconteceu e vai acontecer, aqui ou ali, neste ou noutro continente.

RTPN – Sinais do Tempo: Como é que o manuscrito sobreviveu?

Wikipedia: Arquipélago de Gulag.

Blog: Da Russia, José Milhazes

para ti

1ª Parte: Franz E.

Quem não sofre, vende o vento; a quem respira o segredo e a dedicação, entrego aqui o meu apreço e a minha história.

Franz E. nasceu em meados do Inverno de 1967, no frio do Norte, Berna, Suiça. Um ano após o seu nascimento, os pais, jovens, Karl E. e Maria Mayte, socialmente desconfiados, perante as notícias vindas da Alemanha e que falavam das crescentes manifestações, sobretudo juvenis, que apelavam para a quebra d’O Silencio sobre o holocausto e a Culpa Alemã, manifestações que pareciam esconder uma onda regional-imersa de neonazismo; e absorvidos na perspectiva aterradora, associada ao desenvolvimento industrial, escarrapachados no jornal: “num raio de cem quilómetros existe sempre uma central nuclear”; reúnem as suas economias e decidem partir; rumam a Itália, para junto do pai de Maria, funcionário da embaixada francesa, procurando algum conforto familiar. Após algum tempo, reconhecem num encontro com amigos espanhóis o significado da origem hebraica de Maria; tomando isso como uma insinuação para o futuro da família, tomam o regresso às terras do Sul como um destino saudável.
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