sentido

A vida não tem sentido. ponto final.

E só o tem se escolhermos um. ponto final.

E logo a seguir vem a pergunta: que sentido? ponto final.

Vou escrever. É esse o sentido, E porquê esse e não outro?

É porque esse livro, humano, aqueles que ficam, não os que mostram ódio, nem na arte, muito menos na literatura. Os museus, as bibliotecas, são arte e cultura humanas, é o que fica.

Neste planeta tão desumano, intolerante, egoista e ganancioso, fica um livro humano, numtempo em que foi escrito humano, um livro que fale de dentro para lembrar ao outro, noutro tempo, que existe e é possível ser-se um certo ser humano: tolerante, generoso e cooperante.

dar

antes disso, do dar, terá essa pessoa, quem deu, pensado nessa outra a quem deu, e isso será o melhor que alguém poderá fazer neste planeta não tão sombrio assim

A máquina, a condição humana

Sonhei com uma máquina. Aquela, a máquina.

Sim, nessa que estás a pensar, a que nos representa, aquela que nos explica, sim, isso, que explicasse tudo, a nós, humanos, claro.

O outro. A outra. Enfim, todos. Aqueles e aquelas que nos passam ao lado, na rua ou num banco, num olhar ou num ecrã. E comecei a construí-la. Estava num palco e tinha uma audiência para ajudar. A ideia era mesmo a de começar pelos antagónicos, depois criar  linhas entre eles e por fim dar-lhe elasticidade. Explico. Começar por conceitos antagónicos, coisas que são escritas, não as vês, apenas as sentes e ouves falar sobre eles, coisas pelas quais lutamos, lutamos e lutaremos, como liberdade, igualdade, justiça. Ligar esses conceitos e depois cada um coloca-se num ponto em cada eixo e no fim fica uma escultura de pontos, característica de cada um.

Continue reading “A máquina, a condição humana”

Esquerda ou violência

Manifestação 15 Set 2012, Praça de Espanha, Lisboa, Portugal
credits by FranzE. 2012

A violência não tem futuro, só se o futuro estiver no horizonte de dez anos ou menos.

Para resolver o assunto em frente à assembleia, a polícia usou a violência porque esse é o modo imediato para resolver o problema. Não o resolve a longo prazo.

O problema que temos em mãos não se resolve atirando pedras a polícias. Eles, como nós, são cidadãos, vivem exatamente o mesmo problema que qualquer um de nós.
O que enfrentamos não se soluciona com violência porque o futuro de Portugal não é de curto-prazo. Obviamente que não se escorrega na ingenuidade. A violência é um dos caminhos possíveis, porque o desespero é real, sobretudo nos jovens onde o desemprego já ultrapassa os 35% em Portugal. E não vendo caminho, decidem-se pela violência.

Contudo, se recuarmos um pouco haveremos de encontrar soluções que abanem o dito “sistema” para que se encontre uma solução que seja partilhada, consensual, abrangente, transparente. De facto, caímos do outro lado, quando quisemos evitar o comunismo: uma ditadura do proletariado em que o individual desaparece. Tornámo-nos desumanos, centrados no próprio eu, egoístas e soberbamente desconfiados.

E se na minha opinião, é importante a ideia de solidariedade e tolerância, também o é a da humanização, bem como a da transparência, do individual e da confiança na pessoa. Portanto, parece-me que a coisa vai estar no equilíbrio entre o individual e o coletivo. Não sei em que ponto exatamente, mas que Portugal, a Europa serão conceitos muito diferentes no futuro a dez anos disso tenho a certeza.

Quanto menor violência tanto melhor, mas temo que se chegue a situação de guerra, porque o ódio e a raiva começam a criar raízes naqueles que desesperados, já nem prato têm.

Outro assunto que cruza este é a questão da sustentabilidade do atual modo de vida europeu/ocidental. A crise passa por ai também. E ainda pelo facto de, povos extremamente pobres estarem hoje com melhor nível de vida. Isso, significa que a Europa não pode continuar com este níveis de gastos energéticos e ambientais como até aqui. E suponho até que o limite de sustentabilidade tenha sido já ultrapassado e que o assunto seja já mundial e não ocidental.

A crise, com ou sem violência, servirá para que nos recentremos no que queremos, e naquilo que é importante. O que queremos? Que Europa queremos? O que é importante? A não ser que queiramos uma sociedade desumana, autocrática, intolerante, insustentável, desconfiada, como já aconteceu no passado. Provavelmente será por esse drama que teremos de entrar novamente antes de nos apercebermos do que necessitamos de fazer.

Sempre que um projeto se apresenta solidário, tolerante, humano, sustentável, num equilíbrio entre o coletivo e o individual, tenho tendência a dizer que sim. Ao contrário, tendo tendência a construir um tricheira.