o que andas tu a fazer

– “O rapaz não é daqui, pois não?” -perguntou

– “Não…”- Balbuciei embaraçado.

– “Sente-se à minha mesa … ao menos tenho companhia”- continuou. Se calhar não tinha percebido que o teria estado a observar. Aquele homem sentia-se só entre os homens, menosprezado, caminha só.

– “Não quero incomodá-lo.” – Disse, tentando demonstrar respeito;

– “O rapaz incomoda-me é ai estacado, sozinho; chegue-se … vá não seja tímido.” – queria falar – “ Não tenha medo, que medo tenho eu que a mim me façam mal.”

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25 de Abril. Não sei porque não gosto das comemorações. Não sei se é assim convosco. E até aqui não sabia porque não gostava. E agora também não sei, mas tenho uma hipótese: é que ele é da rua, veio para a rua e protestou, enquanto que aqueles engalanados no parlamento, ano após ano, não protestam, não estão do nosso lado, quereriam que não tivesse ocorrido e não estão na rua.

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