mover

A Natureza deixa ao homem esta inevitabilidade, a de se mover, enquanto a tez é enrugada de constrangimento e insegurança, num corpo curvado, cheio pelo sorriso malicioso, de quem sabe que tem futuro, que o futuro é seu e ainda o desconhece, embora de corpo recostado, sei-lhe o interior cheio de vitalidade para romper o futuro e cultivar nos campos o pão que lhe arrasará a fome, a ele e principalmente aos seus. Travou-se o início da tragédia.

Franz E., O Fraco, 1ªParte, p.16

pés de caminho

estou certo que são livros, vão-se enfileirando, sossegados, sem medo do tempo, nem pavor do que disseres sobre eles, seguem seguindo com pés de caminho, seja para serem esquecidos no mesmo segundo seja para serem guardados por guardas de peito sério. A mim só me preocupa que te levem um resto de humano quando tudo parece ruir. 

fui-me

fui-me ao mar e por ali fiquei, vazio, com o futuro vazio, sem saber se regressava, se ficava, ou que rumo tomaria a seguir. Que tempos vivemos, que secura de futuro, que falta de remédio, que fazer? Os outros que vão, que estão, à minha volta, vão ao mesmo. Procuram ouvir-se para sentir esse futuro abrir-se. Só que, esses futuros não são vividos em silêncio, nem sozinhos, mas com os outros. E se queremos futuro, é com os outros que precisamos de marulhar. Aqui sentados, à frente do mar, a sentir o vento e o aroma inconfudíveis, estamos a fazer outro algo: esperguiça-mo-nos para levar aos outros o que pensamos, ou para levar a mente vazia e enchê-la com os outros. Se nos fechamos, o futuro esvazia-se. Se nos mostramos, vamos descobrir um caminho.