mulher

Sonhei que tudo era fácil. Maria compreenderia a minha vida, a minha ambição, pensei que fosse fácil para ela, sonhei. .. ou estava iludido, pensando que a realidade era isto mesmo, uma boa vontade pegada, não é preciso mais nada. Que seria fácil para ela, até agradável, que ela estaria só para mim. Agora também sofre. E Maria, o que desejaria ela, quais eram as suas ambições? Via-a como uma grande vagina, como vejo outras mulheres, apenas para prazer, não pensam, não desejam, não querem, não teorizam, não ambicionam. Não fazem mais do que atender aos filhos ou ao homem. São mandonas mas só até certo ponto. Exigentes quanto baste. Mas isso já não é uma mulher, é a tua mãe. Maria era uma mulher.

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“Sabes…”

-“Sabes… ” – Segui-lhe o olhar para me certificar de que era seguro falar agora, segui-lhe os braços, vi-lhe as mãos entrelaçadas.

-“Sim … ” – Ela já sabia. Aquele “sim” cansado de esperar.

-”Queria convidar-te para ir ao cinema… trabalhamos tanto… fechamos isto e vamos divertir-nos um pouco.” – Consegui não dizer tudo. Adiei. Verdade sim. Adiei. É que não consigo. No meio deste fervor todo, as palavras ficam engasgadas não sei onde. Não as consigo resgatar. E mais. É que ela já sabia. Fico refém do que vou dizer e dessa intuição feminina e sem reconhecer que são elas que escolhem, são elas que entrevistam muitos, querem conhecê-los, recolher informação, como se soubessem tudo, donas da verdade e do futuro. Ela já sabia. E eu aqui como um cãozinho estúpido.

7ª parte, O Fraco