artista por 10 minutos

Deram-me uma flor. Nem sei se homem ou mulher. Não interessa. Deram, porque mereci. Não que neste planeta sejam apenas guerras, não que neste planeta sejam apenas histórias felizes ou de moralidade elevada, nem de dignidade ou de tolerâncias extremas. Nem uma nem outra, mas mais a última que a desgraça da primeira. Somos um bando de pássaros assustados há procura de um lugar seguro, na esperança, bem perto do fim do dia, de sossegarmos no peito de alguém. Deram-me uma flor. Ainda bem. Vou deitar-me sossegado, este mundo ainda vai bem.

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há um vazio

há um vazio estranho, uma incerteza severa, como um rio que segue e só se sente de quando em vez. Uma ausência de sucesso que não nos dá um sorriso de encher o corpo. Murchamos como figos ao sol. E para quê? Se amanhã será outro dia, se daqui a pouco estarás acompanhado. A verdade é que vais de perda em perda, amigos que se vão, familia que se vai e o tempo que não volta, os lugares impossíveis, os acontecimentos que não acontecerão jamais, mesmo que ainda haja uma estupida memória que te os aviva e te dá a esperança morta de ainda virem a acontecer. O eterno retorno. Bah… procura outros, faz coisas novas, percorre caminhos diferentes. Mas desse vazio pequenino e mesquinho não te safas. De quando em vez pim, toca-te à porta.

para ver outra vez

 

 

Um filme simples carregado de humano com um argumento irrepreensível, exceto no momento do beijo: aquele à mulher do amante, da mulher do protagonista.