há um lugar, que já existe,

pode ter casa ou não

pode ainda não estar construída

 

mas há um lugar

ou melhor

vários lugares

 

cada um irá ter um morto teu

uma daquelas pessoas a quem punhas o coração nas mãos

ou a quem o davas para que vivesse.

 

Não saberás se verás esses lugares alguma vez

mesmo que já tenhas passado por cada um deles.

irás odiar cada um,

quando ai estiveres com um morto teu à beira do teu sofrimento.

 

Quanto ao teu não,

falo do teu lugar

podes tê-lo conhecido ou não,

pode não ter casa ainda,

mas há, existe,

podes ter já passado por ele

podes não o conhecer

mas há

 

e nunca o saberás, nunca saberás que lugar é,

mesmo que já tivesses passado por ele,

 

e nesse lugar estará quem o vá odiar

a quem será indiferente

outros dirão “puta que o pariu”.

 

Quanto a ti, tu vais lá estar mas não saberás que lugar é

não saberás se o conheces

se já por ali passaste

mesmo que já tivesses ali passado

nesse em que te darão como morto

em que te pousarão como morto.

 

A partir dai, nada,

para ti nem o nada existe

nem mesmo existe “nem o nada existe”

 

Agora já sabes, esse lugar há, existe

há um tempo em que o vais ocupar sem nunca o saber.

 

Nenhum destes poderás destruir.

 

Saber isso será melhor,

não tens que te preocupar a não ser com a vida que tens para viver

e com aqueles com quem vives e fazes feliz.

Franz E., Começo, dezembro 2014

https://comecopoesia.wordpress.com/

não quero chegar

não quero, pronto! Chamem-lhe birra, mas quero mudar, gostava, ambiciono pelo menos, tenho a intenção de, mas disso está o inferno farto, de intenções, digo, diz-lhe a avó, era mesmo só a visão do mundo, pois isso menino é ainda mais díficil, não é tão isso, é mais, da guerra ansiosa de chegar à delícia da viagem. Passar do destino para a viagem. Do querer chegar para o querer andar. Do querer fazer tudo para o querer fazer pouco.