agora sim

aqui foram 150, mas não se chamavam “Charlie”. Não se juntaram milhões com panfletos ao alto. Agora sim. Mesmo depois do prémio nobel de Malala, que também não acordou ninguém na Europa, agora sim, o Charlie em França, agora sim, parece que sabemos quem são estes Jihadistas ou Alcaeda ou outro nome qualquer.

São facistas no extremos da estupidez que é possível ao ser humano. Parece que o filme é o mesmo aquando dos nazis. Marinaram durante vinte anos e só depois é que o mundo acordou. Com esta gente já sabemos o resultado, por isso é melhor levantar o cuzinho do sopá e sujar os pés. Se for só isso é sorte, provavelmente vais ter que dar o corpo ao manifesto, lutar para defender a tua casa.

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150

coração

Saberás o que fazer com ele. Saberás cuidá-lo melhor do que eu cuido. É mais que uma união, que este carinho, que este respeito, amizade, que este valor que lhe atribuo: ser a minha companheira e eu pareço que lhe agrado; quer dizer, claro que agrado, ela não pára de me atazanar, eu cordeirinho inocente, caio-lhe nos braços, ela à espera de braços abertos que se fecham quando, como guerreiro moribundo de joelhos no chão, à espera que me desfira o golpe final.

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“Sabes…”

-“Sabes… ” – Segui-lhe o olhar para me certificar de que era seguro falar agora, segui-lhe os braços, vi-lhe as mãos entrelaçadas.

-“Sim … ” – Ela já sabia. Aquele “sim” cansado de esperar.

-”Queria convidar-te para ir ao cinema… trabalhamos tanto… fechamos isto e vamos divertir-nos um pouco.” – Consegui não dizer tudo. Adiei. Verdade sim. Adiei. É que não consigo. No meio deste fervor todo, as palavras ficam engasgadas não sei onde. Não as consigo resgatar. E mais. É que ela já sabia. Fico refém do que vou dizer e dessa intuição feminina e sem reconhecer que são elas que escolhem, são elas que entrevistam muitos, querem conhecê-los, recolher informação, como se soubessem tudo, donas da verdade e do futuro. Ela já sabia. E eu aqui como um cãozinho estúpido.

7ª parte, O Fraco

degraus sem o serem

há uma estranha sensação de absurdo. não ensinaram que o melhor dos mundo é aquele que vai com justiça. compaixão. solidariedade. é disso que vai normalmente. agora vai qualquer coisa ao lado, mais por dentro do que ao lado, camuflado, vai sobrevivência, uns já  o tinham visto os outros começam a vê-lo. vai um mundo com casca fina misturado com injustiça, desumanização. vai um mundo por si: desenrasca-te! vai com a sobrevivência. esgravatar. vai com salve-se quem puder. se parar pode ser que lhe dê para o viver-com-pouco. pode ser que a ganância lhe dê para viver sem os outros. ou com menos dos outros. se parar pode ser que lhe dê para trabalhar com os outros. mais se gasta quando não vamos juntos. mas dizem que és um puto da mamã. que não te consegues safar por isso. vai à luta. não te disseram que a sustentabilidade é valor. mas já parece é menos do que isso. os seres humanos parecem mais praga que não quer ou não sabe aonde vai. paz ou guerra? Com pouco, com justiça, ou com guerra e falta de compaixão? Com senso ou em selva? O que vai ser? Que bebida vais pedir? é uma confusão maior. se se vai sozinho ou se te levas com o outros. onde pára o equilíbrio? escolho ir com os outros mas quero estar comigo

livro

havemos de nos encontrar no silêncio de um livro, escrito, por acaso por mim, com o único intuito de dizer que humanos somos, compaixão temos, e tu como eu, sós estamos, e permanecemos, mesmo depois de o teres lido, só que desta vez saberás que existe outro, tão só como tu.