artista por 10 minutos

Deram-me uma flor. Nem sei se homem ou mulher. Não interessa. Deram, porque mereci. Não que neste planeta sejam apenas guerras, não que neste planeta sejam apenas histórias felizes ou de moralidade elevada, nem de dignidade ou de tolerâncias extremas. Nem uma nem outra, mas mais a última que a desgraça da primeira. Somos um bando de pássaros assustados há procura de um lugar seguro, na esperança, bem perto do fim do dia, de sossegarmos no peito de alguém. Deram-me uma flor. Ainda bem. Vou deitar-me sossegado, este mundo ainda vai bem.

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amigo

quem o diz “amigo”, depois da mensagem no fim de tudo ou no princípio

olá amigo. adeus amigo. sou amigo

pois. os amigos ficam no fim. e são poucos.

ficam com o desespero a desesperança o desalento ou a desilusão

a outra parte dos amigos

é a solidão da idade

vem o tempo extenso e ficas só

não falas aquelas falas de coração na mão

tão transparente que até te surpreende

mesmo a ti próprio

os amigos também medem a idade, são poucos e continuam sendo cada vez menos.

amigo

Se os pudéssemos quantificar diria que são pérolas. Se os pudéssemos abandonar, a vida que habitamos perdia metade da luz. Se os voltamos a ver, enchemos de alegria, inspiramos maresia de verão, terra molhada de outono, ou fim de tarde solarengo. Se os deixamos num cais qualquer desejamos-lhe sorte, muita mesmo, toda, que esta vida, para além de coragem, precisa disso. Se nos pedem ajuda, socorremos com a alma sem hesitar. São poucos e ainda bem, que não teríamos energia para tanta alegria.