vida

se já te despediste da vida, então podes morrer, queres morrer ou não importa que morras, mesmo que a vida seja de outro, e que tu não queres a única vida que é possível para ti. Diz-se única. A tua. Engano é dizer é tua, porque podia ser de outro, que diz igual “a minha vida”. Mas é a tua que é única com a dele também o é. Mas é tua, só tua mesmo, mesmo, mesmo. Aproveita-a!

Tiranos

Como bem sabiam, Aristóteles prevenira que a DESIGUALDADE ocasionava instabilidade, enquanto  Platão acreditava que os DEMAGOGOS tiravam partido da liberdade de expressão para se afirmarem como tiranos.

1.

Não obedeças por antecipação.

2.

Defende as instituições.

3.

Cuidado com o estado unipartidário.

4.

Presta atenção a suásticas e a outros sinais de ódio.

5.

Usa e abusa da tua ética profissional

6.

Fica alerta com os paramilitares

7.

Desvies estar preparado/a para dizer NÃO.

8.

Opõe-te
(Continua)
Referencia: “Sobre a tirania”, Timothy Snyder, p.11 e seguintes , Relogio d’Água

Só 

És só um corpo, não há mãe nem pai que te possa dar mais do que atenção, e só te lançam um lençol por cima até que o médico, cansado, te meça a tensão, mas pense que mais vale estar este corpo, gordo e deformado, morto, do que a meses ou anos de se finar.

amor

Não tens tempo de ouvir a pergunta quanto mais dizer a resposta e já lá estás, uma pulsão abrupta, e só deixas de tremer mais quando estás perto, mas isso chama-se paixão. Dura pouco, não mais que dois anos. Dizem.

Lá para depois da quarta paixão ainda não controlas o que dás. Mas não vais ter ninguém a dizer-te o que fazer, nem sequer uma arma apontada à cabeça, nem é preciso, porque já deste tudo o que tinhas. Se mesmo assim a paixão não dura e o amor não fica, o corpo quebra-se no chão.

Se ficas depois da primeira guerra, depois da segunda aflição, depois do terceiro problema sério, depois da morte, já lhe podes chamar isso maior, amor.

Lá para depois do primeiro amor vais controlar o que dás.

 

Inferno

Isto é um inferno. É por isso, que de todas as maneiras e mais uma, cada um ao seu estilo, quer sair disto, seja com tecnologias ou com extremismos, reais, virtuais ou aumentados. Se isto não vai com equilíbrios e negociações, irá com intransigências radicais ou tecnológicas, mas, seja como for, intransigências. E se és contra. Di-lo. Não te fará mal. O outro não está aí para te resolver o problema. Há quem o faça mas não são todos, nem a todo o momento, alguns até são voluntários, mas quase todos te irão cobrar. Por isso, de que te vale lamuriar? A não ser que te queiras tornar num profissional da lamúria virtual ou aumentada. Podes criar uma app da lamúria, adicionas uns óculos que te tirem daqui mas para te lamuriares no mesmo sítio embora com o cérebro numa virtualidade. Já o fizemos com o carro. Levamos no mesmo dia para 600 km daqui. Como se aí tudo fosse melhor. Não é. Aliás, até é se não estiveres por aí mais do que uns dias. Depois passa a ser. Enquanto não estás vives numa virtualidade suportado pela pelo pouco tempo ai. Vês umas coisas diferentes. Chamam-lhe turismo outros dizem que são viajantes. Outros vão mesmo em passeio à procura de diferente. Este nosso cérebro gosta disso. Di diferente. De ver outras coisas, as mesmas mas cozinhadas e vestidas de modo diferente. É isso sabe bem. Não há melhor do que viajar. E trabalhar.

Andava convencido. E nestes dez anos desconvenci-me. Convencido que íamos todos no sentido de estarmos melhor uns com os outros, de partilharmos melhor e de negociar ainda melhor. Mas não. Não é assim. Se puder arrebanhar mais para mim e para os meus tanto melhor. Daí as regras, o direito, o dever, os regimentos e os regulamentos. Até os deveres para com este planeta é mais para os outros, são eles que não cumprem, não eu.

No fim do dia fica teres de sobreviver numa selva que tem de ser regulada a não ser que se queira uma guerra.

Dez 2017, Franz E.

Não sabia

“Não sabia”- chutou seco e de surpresa – “juro e não preciso de ter os pés juntos, nem sequer de saltar” – ficou parado de boca fechada – “eu não sabia que os outros eram como eu, pensavam como eu, na intimidade, percebes? Quer dizer, também são loucos, desconexos e incompetentes; incoerentes, sós e parvos; tristes, medrosos e cabisbaixos” – e parou com os olhos em cima de mim – “Ah merda, não sabia que eu era como todos. Que afinal a vida deles também é estúpida, também tem erros e absurdos, também vão sozinhos, são tímidos e envergonhados, pouca estima e menos confiança ainda.” – “Ah foda-se, juro que não sabia”