há um abismo

há um abismo que não era abismo, mas que vai sendo há medida do teu envelhecimento. Correrás para ele, refarás curvas e recurvas noutras direções, seguiras linha reta tão lento quanto possível? E chegados lá, que fazes?

dois caminhos

Há dois caminhos. É decidir por um. Ou lês o resumo do livro ou o livro em si. Por estes dias, o resumo do livro já são duas frases, às vezes uma e não fica em lado nenhum, em nenhum suporte físico, nem sequer dentro de um arquivo morto. E se esse resumo é uma foto virtual pior, ficou por ai, tiram-se às centenas e morrem logo ali.

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mudança

há uma mudança fundamental que não sabemos quando a fizemos, só mesmo depois de a fazermos: “Eu quero ser” para “Eu sou”. E o que somos não depende de nós, da nossa vontade, é uma coisa muito diferente do que imaginávamos. Tão diferente como dizeres onde estarás daqui a dez anos e depois verificares onde estás.

velocidade

a facilidade torna a vida veloz e menos sumarenta

nadaJan2015

Vai-se

É meio século de afetos, chegadas e partidas, lamentos, dizeres, conversas, dizendo “gosto de ti” sem se ter dito, nem nunca ter sido exigido que se dissesse, nem sequer se ter sentido que deveria ser dito. E agora fria, um corpo só, vestido, olhos fechados, uma mão sobrevoa outra, deixou de ser a tua avó. Essa, era sorriso,  alegria, certeza, ternura, optimismo, sem nunca, ou poucas vezes desanimar. Ela teria 40 anos quando a vi, ela tem 91 quando parte, sem nunca a ter visto chorar, nem lamentar, mesmo que a vida lhe tenha roubado um filho, a escola, lhe tenha dado incertezas e amarguras, nunca fez greve, e vai como todos vamos, anônima, sem fama nem glória , com uma vida a fazer bem, outra vida de franqueza, honra, verdade. Só lamenta não ter sido professora de história. E dizia que o fim do mundo estava escrito na Bíblia, terminaria com todos contra todos. Talvez tenha razão. Quem sabe. E que interessa agora. Que interessa a morte de quem quer que seja a não ser que seja uma parte de ti, tão de ti que não podes distinguir. Mas tu ficas e ela vai para lado nenhum que não saibas, o fundo de um buraco sem luz.

Franz E, 26 Jan 2018

Envelhecer

Ninguém quer morrer, nem um porco, nem uma formiga, nada, ninguém, nem nós. Discutimos, investigamos, pagamos tudo para que a morte não se aproxime tanto, argumentamos, praguejamos, e tudo isso no mesmo sentido, não queremos morrer. Mas, ao invés, todos os dias fazemos para morrer: excesso de velocidade com os automóveis, excessos na comida, excessos no trabalho, excessos no consumo, excessos ambientais.. Quer isso dizer que estamos a cometer um suicidio colectivo!?

Coisas

Há trinta e uma mil coisas e mais outras tantas a acontecer e tu sem saberes de nada. Ainda bem. Loucos são se julgam saber tudo, acompanhar tudo, viver tudo, lamentar tudo, ajudar a tudo e todos. Prefiro não saber de nada a não ser do quintal onde alguém se vem sentar, numa cadeira pronta, com história incontável.