rio subterrâneo

Há um rio subterrânio de desespero que ninguém deseja tocar sequer, quanto mais mergulhar e ai, nada tem sentido, nem vida nem coisa parecida. É dai que vem a bolha: imergirmos numa bolha que nos vai evitado esse rio: e a bolha pode ser moda, pode ser carros, música, ou outra merda qualquer, nem que seja, ser um detective ou uma famosa da moda. Há outros que não podem sequer aspirar a sonhos, ficam-se por garantir uma malga de arroz cada dia que passa.

sem sentido

A vida não tem sentido per si, tens que lhe dar um. ponto final

Viver é talvez procurar esse sentido, seja ele qual for, seja para roubar, matar, ajudar ou mesmo morrer pelos outros como um messias, seja por que causa for, contra ti ou a teu favor.

Nem sempre pela tolerância, generosidade, pelos outros, pelo futuro comum. Estes cães humanos são mais pelo quintal e ser melhor do que os outros.

Talvez que viver, para outros, é mais sobreviver amanhã.

Para que te alimentas se à tua volta não resta uma parede inteira, um copo inteiro?

Porque levas essa colher à boca, se não tens uma voz terna para quem te vê, mudo como um poço?

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a outra geografia

há uma geografia que descobrimos quando os entes mais queridos se vão, é a emocional. São como cordas que se partem sem fazer barulho, mas que nos encolhem essa geografia de modo drástico e duradouro, ao ponto de nos afectar também a nossa geografia física, ao ponto de nos dar um pontapé do qual não nos safamos nunca. Apenas aprendemos a circundar esse vazio, se tivermos sorte de o conseguir fazer.

lavados

há muito que perdemos a Terra dos pés e das mãos

há muito que lavamos a Terra dos  pés e das mãos que ainda são tuas

há muito que sacudimos a terra maldita

saímos lavados, tão limpos, brilhantes

tudo vai perfeito: um carro lavado, roupa da moda, óculos de sol da marca xpto e até o cão tosquiado, tudo peeerrrfeitooooo, perrrrifeeetinho, como deve ser

nem vale a pena dizer nada, é mesmo assim

queria que o mundo, as pessoas, não fossem assim, mas são, somos!

 

último

Há um último olhar sobre a tua terra que não queres saber quando é, mas que queres sempre dar mais um último olhar à tua terra.

Saibas ou não saibas que é esse o último

Andamos com o passado ao cólo

para que não mude

para que nada mude

sempre com medo que alguma coisa mude

45 graus

#49 Mª Carmo Fonseca – Genética e Biologia Molecular

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viciados

Como a pessoa viciada em heroína, em qualquer outra ina, sabendo que vai sofrer e morrer disso, continua.

Isso porque não há nada que lhe diminua o sofrimento se não a tal ina. É um sistema sem retorno e realimentado.

Bem sabemos que o nosso estilo de vida nos irá excluir deste planeta. Está eminente. Quero mais isto e aquilo, e depressa, e tudo isso e aquilo significa energia, gastá-la a torto e a direita… o que farias, se te sobreasse apenas a água num balde, para atravessar um deserto imenso? O que farás se te sobra apenas essa energia que vai nesse balde? Abanamos as cabeças, concordamos, a moral fica bem, era assim que devia ser e… largas a corda… fugimos a sete pés direitos às lojas.

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