Eduardo Lourenço

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fama

Se a coisa não presta põe-lhe muita luz e som, cor e floreados, publicidade e video, que isso vende na mesma. Bem verdade que há muita outra coisa submersa, sem dar nas vistas, de enorme qualidade. As duas ao mesmo tempo já é mais dificil. Falo de música que até robots tem, mas a música viste-la, e outra música que só tem voz ou instrumentos e a coisa deixa-nos nas nuvens. Não a publicitaram mas ainda bem que estamos a ouvi-la. E vai assim para outras artes. O que muito é famoso, e na maior parte dos casos, muito mau em conteúdo. Vê-se muito bom e que está escrito numa folha de papel e pequena. Cada um decide o que ver e o que ler e o que ouvir.

há um rio

Há um rio submerso depressivo, nostálgico e silencioso, que escolhe todos mas não tem nome, é onde somos reis e rainhas, heróis maiores que os outros heróis, onde perguntamos quem somos e para onde vamos, nas margens do qual vivemos sozinhos e morremos sozinhos.

Os funcionários 

Estava a pensar numa história assim. Feita de tantos feitos, feitos já feitos, já passados. Baseada na história de Eichman, a partir do julgamento descrito por Hanna Arendt, em Israel, a dizer que somos cataventos, dançando conforme os tempos políticos, com pouca autonomia, discernimento, clarividência, pouco corajosos, somos todos assim, constrangidos por milhentas desconfianças em nós mesmos, à espera do grupo suficientemente grande onde cabemos e onde nos sentimos seguros. Somos mesmo assim. Outros não, arrastam-se convencidos, confiantes de que é esse o caminho, seja Eichman como um Resistente Francês, seja pelo ideal de superioridade pré-definida, seja pela liberdade, confiam que é esse o caminho, seja miserável ou pela alegre. seja pela intolerância ou pela tolerância, seja por uma certa ordem ou pela diversidade. Acabamos todos por ser funcionários de um ideal, mesmo que não concordes com esse ideal, acabas, por em geral aceitar isso, porque convém naquele momento. Eu acima de tudo, desde que eu sobreviva.

quem somos

isto é um fluxo de vida, um chegar permanente, minuto a minuto, a um presente que pode ser um mescla de situações. Se olhasse para ti veria uma mescla de outras vidas e tu és essa mescla, tu és fatias de outros que também são fatias, ou melhor, conjunto de fatias que também são tuas. Isto porque vivemos todos mais ou menos as mesmas situações, mas em tempo diferentes e passamos por lugares diferentes, experiências diferentes. Tu significa que tens um conjunto de fatias de vida diferente de outros. Mais um pouco à frente, tu és a tua rede neuronal, um conjunto de conexões neuronais que te fazem tu mas que outros também viveram, em contextos diferentes, em tempos diferentes, a ritmos diferentes. O que faz de nós o outro é a interceção, há fatias que são comuns, outras não, serão comuns a outros. A impressão do outro são essas fatias que reconhecemos como sendo nossas. Se são muitas coincidências há empatia. Se são muito diferentes receamos. A empatia vai de se saber que o outro sou eu, em fatias diferentes.

loucura

há uma loucura que não pára, não pára, não pára. só não esquecemos os bolsos cheios e o umbigo farto, cheios de nós com menos dos outros, com mais de coisas que usamos e menos da casa que vamos deixar para quem como nós chega aqui, sempre de novo, sempre com esperança, vontade até de mudar o que está. ainda bem. ao contrário isto era só uma lixeira a céu aberto com almas e tudo, escancaradas e vazias