prometo

prometo que amanhã serei outro, mais isto e menos aquilo, mais assado do que cozido, no sentido oposto do que tem sido. Prometo.

e vai assim a vida mais curta do que comprida

Tudo muda e as pessoas também e quanto a coerência, o ser humano está longe disso, qualquer um, eu tu ele nós vós eles, longe, muito longe.

Se se mantivesse a palavra já seria um grande avanço.

Basta olhar para o problema ambiental ou o dos refugiados. Somos todos ambientais mas consumimos papel, plástico e libertamos CO2 como cães irritados, e podemos passear pelo mediterrâneo sem nos preocuparmos com as mortes, aliás compramos um automóvel de 1 milhão de euros só porque sim, e os que não podem bem queriam.

Queremos ser ricos mas somos pobres de alma e portanto, de palavra. Muito pobres. E quanto à coerência nem se fala, anda meio a roubar outro meio, aliás, nem é correto, andam meia-dúzia a roubar o bairro inteiro.

Dito.

Shimon Peres, Set 2016

sim, sim, criticas não lhe faltam, é mesmo assim, o que quer que faças, alguém criticará, mas este homem, pelo menos tentou a paz entre irmãos vizinhos com uma inimizade visceral que navega de gerações em gerações. O lugar dele não se ocupa. É isso que preocupa. Sei que haverá outro parecido, só espero que aconteça o milagre, Palestinos e Israelitas capazes de partilhar.

http://pt.euronews.com/2016/09/28/ex-presidente-israelita-e-nobel-da-paz-shimon-peres-falece-aos-93-anos

quatro mãos

Uma caixa é transportada, pouco antes de ser enterrada, são quatro os homens e quatro as mãos, um apressa-se a enterrá-la, ou melhor a enterrá-lo, o corpo, é um dos genros mais aziagos que nunca suportou o sogro, o outro não sabe ao que vai, é aguenta-te, é pau para toda a obra, sempre tudo ok, onde quer que esteja. O terceiro é neto e leva o corpo com o coração. Debatendo-se com o genro apressado, empurra e puxa para lá -“Vai lá com calma, o corpo já está frio”- A outra é uma mão impossível, não está lá. Vai substituída por uma estrangeira, havia de estar a do filho, ficou para trás, muito antes da morte deste pai, que vai agora a enterrar. Sem afecto, foi criado por este pai austero, de poucas palavras que nunca perguntou ao filho “como estás?”. Foi sempre, faz isto! Faz isto! Faz aquilo! São quatro as mãos e é um pai só, calado sempre, sorriso nunca, austero como sabia que a vida é, um inferno e uma ilusão, sempre.

solitário

quando já não se consegue mudar o mundo, quando ele se perdeu nas notícias, nas cidades, nessa agitação sem caminho, o mar é um lugar possível e as pessoas que o bordejam, e as que o navegam. Dizem, “muita gente junta não se salva”, e é verdade. Com ou sem razão, que importa. O que fica, sem ficar nada, é a tua alegria, a tolerância e o respeito pelo outro. O resto é conversa estúpida e ganância desenfreada.

longe ou depressa?

proverioAfricano

ofraco.wordpress.com

dá no mesmo

E se o dilúvio viesse ai e a arca de Noé fosse a Europa? O que faria a Europa, colocava um par de cada raça? Um par de cada país? Um par de cada cor? Ou guardava a maior quantidade possível?

O que quererás que os outros povos te façam quando, volvidos 50 anos ou mais, e a crise sossegar do lado de lá do Mediterrâneo, e seres tu, Europa, a precisar de ajuda?

O que vais fazer agora, Europa?

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