Shimon Peres, Set 2016

sim, sim, criticas não lhe faltam, é mesmo assim, o que quer que faças, alguém criticará, mas este homem, pelo menos tentou a paz entre irmãos vizinhos com uma inimizade visceral que navega de gerações em gerações. O lugar dele não se ocupa. É isso que preocupa. Sei que haverá outro parecido, só espero que aconteça o milagre, Palestinos e Israelitas capazes de partilhar.

http://pt.euronews.com/2016/09/28/ex-presidente-israelita-e-nobel-da-paz-shimon-peres-falece-aos-93-anos

o teu

Pois. Esse é mesmo o teu caminho. Sim. Tu que agora me lês e que acordas a pensar da infelicidade da sorte, aquilo que poderias ter feito e o que fizeste, por onde andaste e não devias, o que és e não queres, onde estás e não desejas, o que tens e poderias ter (o que menos interessa). Aceita. Onde estás, o que fazes e o que és. Se pensas, faz o que pensas. Mas aceita o que és assim, ponto.

setembro 2016, Franz E.

Perguntas cruciais

e outros a pensar noutras perguntas

Guardian, Londres, 2010
O que é a consciência?
O que aconteceu antes do BIG BANG?
A ciência e a engenharia alguma vez nos devolverão a individualidade?
Como lidaremos com o crescimento da população mundial?
Os números primos obedecem a um padrão?
Podemos fazer com que o modo científico de pensar se aplique a todos os campos?
Como podemos garantir que a humanidade sobrevive e prospera?
Alguém consegue explicar conscientemente o significado do espaço infinito?
Algum dia conseguirei gravar o meu cérebro como gravo um programa de televisão?
A humanidade pode chegar às estrelas?
 
Alberto Manguel, Uma História da Curiosidade, p.13, Tinta da China, MMXV, Lisboa.

quatro mãos

Uma caixa é transportada, pouco antes de ser enterrada, são quatro os homens e quatro as mãos, um apressa-se a enterrá-la, ou melhor a enterrá-lo, o corpo, é um dos genros mais aziagos que nunca suportou o sogro, o outro não sabe ao que vai, é aguenta-te, é pau para toda a obra, sempre tudo ok, onde quer que esteja. O terceiro é neto e leva o corpo com o coração. Debatendo-se com o genro apressado, empurra e puxa para lá -“Vai lá com calma, o corpo já está frio”- A outra é uma mão impossível, não está lá. Vai substituída por uma estrangeira, havia de estar a do filho, ficou para trás, muito antes da morte deste pai, que vai agora a enterrar. Sem afecto, foi criado por este pai austero, de poucas palavras que nunca perguntou ao filho “como estás?”. Foi sempre, faz isto! Faz isto! Faz aquilo! São quatro as mãos e é um pai só, calado sempre, sorriso nunca, austero como sabia que a vida é, um inferno e uma ilusão, sempre.

Paraíso ou uma ilusão guardada

É isso que procuramos, dentre a merda de vida, falsa e indefinida, imprevisível mesmo, o paraíso. Um hotel ou os amigos, ou a família. É isso o teu paraíso? Ou um jardim, uma casa, um livro,  um salto ou um banho? Todos vivem uma ilusão ponto, é mesmo ponto. Se sabes qual é a tua, melhor, se não, é melhor saberes, cometes muitos erros se não souberes qual é. Que dizer, mesmo que saibas, cometes erros, mas se não souberes, mais e maiores serão.

porque queres construir o paraíso

e isso com uma questão, porque queres construir o paraíso? Porque todos os dias vives o inferno.

E pode ser um infernozinho, como a vida ocidental, uns apitos e uns acenos, o patrão irrascível e que ninguém sabe o que quer, ou os incêndios, e mesmo a guerra, essa intolerância que já se ultrapassou para entrar numa espiral que não regressa, a não ser que todos estejam exaustos.

É por isso que queres construir o paraíso, quando compras uma casa onde lhe pões flores e animais ou quando fumas umas ganzas e vais para a festa ou mesmo quando compras um automóvel, ou outra coisa qualquer, isso faz-te sentir grande, importante, no teu paraisosinho. Vamos de ilusão em ilusão até esbarramos na realidade, isto é o inferno, isto que vivemos, até custa dizer.