Os outros

O que se falava em sussuro, começa a falar-se no telejornal. O que dizem: “o outro não interessa! “Eu” é que sou a referência, o iluminado.” Pois bem, esses iluminados, necessitam que nos levantemos do sofá e clamemos por democracia, pela diversidade, pela generosidade e tolerância, pelo bom senso, pelo saber e pela luta contra a ignorância: Camus falava disso. Bem sabemos aonde é que esses iluminados nos levam; bem sabemos aonde nos leva a ignorância; bem sabemos aonde nos leva a intolerância: guerra, miséria, confrontos. Se a vida já é dificil, mais dificil fica. O sistema democrático tem ainda essa falha terrível: a transparência, ou melhor, a falta dela. Ao contrário, estes “lobos vestidos de cordeiros” têm muitas palavras-chave para vender o seu produto, para capitalizar votos, o que significa que, nos próximos 40 anos, andaremos a lutar pela LIBERDADE, como outros fizeram por nós! O que estes “iluminados” pretendem é o poder, só por si, não pelos outros.

sem saber

Havemos de morrer sem saber quem fomos,

sem saber que defeitos tinhamos,

nem que maleitas viviam no nosso cérebro

nem o que os outros diziam de nós

nem todo o mal que fizemos

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eliminiacionismo

Parece que nos deixamos estar a pensar que o bem, “o lado Bom”, ganha sempre, e que não é preciso levantar o rabo do sofá, para acordarmos e já estarmos numa situação em que somos obrigados a aceitar estas deformações como parte do quotidiano: o outro, não sendo como eu, que faço parte do status atual, tenho o dever de o esmagar, de o queimar, de o eliminar, como se o eliminiacionismo fosse uma coisa normal, banal, até mesmo uma exigência. Sim sim, o eliminiacionismo acontece, em todo o lado, aconteceu e irá acontecer, podes até matar os teus próprios vizinhos, têm é que ser combatido, todos os dias!

https://en.wikipedia.org/wiki/Eliminationism

morte

morte

Já tinha acordado fazia tempo e os afazeres matinais tinham seguido como habitualmente. A vida não tinha segredos nem espantava. Só nunca vira um porco a andar de bicicleta, um homicidio ou um extra-terrestre. Se a seguir ao almoço passava quase sempre para comprar notícias que acompanhassem o café, pensava sempre que é melhor esta rotina sem sabor do que a miséria que se ouvia e via nas notícias ou nas conversas de circunstância. Continue reading “morte”

tirar água do mar com uma colher

Não a conhecia, como não conheço tanta gente de coração bom. Ouvi a notícia do funeral. Ficam as palavras. Prémio Shakarov 2009, Fundadora do grupo “Helsinquia de Moscovo”, de pouco se faz muito.

https://pt.euronews.com/2013/06/04/russia-nega-perseguicao-a-ativistas-sociais-durante-cimeira-com-ue

https://en.wikipedia.org/wiki/Lyudmila_Alexeyeva

 

dar

antes disso, do dar, terá essa pessoa, quem deu, pensado nessa outra a quem deu, e isso será o melhor que alguém poderá fazer neste planeta não tão sombrio assim

quem somos

isto é um fluxo de vida, um chegar permanente, minuto a minuto, a um presente que pode ser um mescla de situações. Se olhasse para ti veria uma mescla de outras vidas e tu és essa mescla, tu és fatias de outros que também são fatias, ou melhor, conjunto de fatias que também são tuas. Isto porque vivemos todos mais ou menos as mesmas situações, mas em tempo diferentes e passamos por lugares diferentes, experiências diferentes. Tu significa que tens um conjunto de fatias de vida diferente de outros. Mais um pouco à frente, tu és a tua rede neuronal, um conjunto de conexões neuronais que te fazem tu mas que outros também viveram, em contextos diferentes, em tempos diferentes, a ritmos diferentes. O que faz de nós o outro é a interceção, há fatias que são comuns, outras não, serão comuns a outros. A impressão do outro são essas fatias que reconhecemos como sendo nossas. Se são muitas coincidências há empatia. Se são muito diferentes receamos. A empatia vai de se saber que o outro sou eu, em fatias diferentes.

dois caminhos

Há dois caminhos. É decidir por um. Ou lês o resumo do livro ou o livro em si. Por estes dias, o resumo do livro já são duas frases, às vezes uma e não fica em lado nenhum, em nenhum suporte físico, nem sequer dentro de um arquivo morto. E se esse resumo é uma foto virtual pior, ficou por ai, tiram-se às centenas e morrem logo ali.

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os outros e tu como anti-outro

E se vais lendo o que se vai dizendo, acertas num sítio que não esperavas. Não há alguém que guarde um gesto sincero, humano, sobre o outro que não conhece e que nunca o viu mais gordo? E fica certo, mais certo ainda com a idade que vais carregando, que não há nada que faças que não seja estúpido, palerma ou “farias melhor outra coisa qualquer”. Isso. Mesmo isso, mesmo que a tua intenção seja a suprema e sincera, por mais bem intencionado que sejas ou estejas.

Vem sempre o ou a que diz “esse filho da puta quer é tacho, protagonismo ou está metido numa tramóia qualquer, enganando uns e outros, tem é mania, ou melhor seria ficar quieto, para que quer ele fazer isso?” E vai ficando mais apertado quando isso se esconde em todas as conversas que não ouves. E se fizeres delas suposição, pior para ti, arremessaste para um sofá de onde só sais quando o corpo dorido se mandar para a cama.

Neste e noutro tempo, a inveja é o agoiro, a má língua é tão antiga que suporta até o desprezo, o escárnio e o mal dizer. E tu também o fazes, quando fazes de outro.

Ai, ai, vem de tão longe que serve de suporte ao desprezo pelo outro, e se bem vindo pela política vai dar em merda da valente. Não é que o anti-outro não exista,, desapareça, ou se vá de vez. Vai daí, segues essa mesma conclusão, o ser humano dança conforme a música política do momento, aqui é um ali, e tu és o outro, o que torna difícil de julgar quem quer que seja. Melhor, melhor é ouvires o que dizes, fazeres o que dizes e responderes ao que perguntas, o resto são as vozes ruído que não fazem de ti nem homem nem mulher, antes te fazem um desumano carunchoso e bafiento.