freedom

Europe must learn, freedom needs to be defended

https://en.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Khodorkovsky800px-mikhail_khodorkovsky_in_kyiv

A descentralização do poder é suficiente para evitar o totalitarismo?

É a minha pergunta intermédia. A democracia proporciona essa descentralização/diversidade que nos permita estar seguros que tal não se repete?

Parece-me que sim, mas não é suficiente? Uma ressalva, considere-se os diferentes poderes como fonte de diversidade ou descentralização: poder político, económico, jurídico, militar, religioso.

Para além disso, necessita de informação credível: os media (agora a internet).

Necessita também de distribuição justa da riqueza.

(…)

Artigo 58

Isso do totalitarismo faz-se usando a lei. Não vá alguém querer esquivar-se dizendo que não sabia por que não ouvira. Assim, está escrito! Ninguém dirá que não sabia. Está escrito! E se mesmo assim se esquecer, a polícia só terá de lembrar o escrito.

Neste caso, o totalitarismo de Staline, tem um artigo com nome, 58. Dentro desse somam-se catorze parágrafos. Definem “crimes contra o estado”. E o castigo a quem não cumpre é típico: fuzilamento ou 10 anos de trabalhos-forçados.

No código penal de 1926, onde este artigo se insere, não existe o conceito de delito político apenas o de “crime”: todos os que não acompanhem as opiniões e directivas do estado são criminosos: não existe opinião.

Parágrafo 1: acções contra-revolucionárias: todas as que tendem a debilitar o poder.

Parágrafo 2: insurreição armada, em particular à tomada do poder ou à separação de cada uma das União das Repúblicas.

Parágrafo 3: Ajuda prestada a um estado estrangeiro que se encontre em Guerra com a URSS.

Parágrafo 4: ajuda à burguesia internacional.

Parágrafo 5: incitar um estado a estrangeiro a entrar em guerra com a URSS.

Parágrafo 6: espionagem.

Parágrafo 7: actividades nocivas à indústria.

Parágrafo 8: acto terrorista.

Parágrafo 9: sabotagem.

Parágrafo 10: propaganda ou agitação.

Parágrafo 11: agravamento das situações anteriores se tivessem sido cometidas numa organização premeditada.

Parágrafo 12: pecado da não denúncia das situações anteriores.

Parágrafo 13: abrangia os que tinham pertencido à polícia secreta czarista (OKRANA).

Parágrafo 14: negligência ou não cumprimento de obrigações.

Fonte: Arquipélago de Gulag, Alexandre Soljenitsine.

Arquipélago de Gulag

Butugychag Tin Mine - A Gulag camp in the Kolyma area

“Kolima era a maior e a mais célebre ilha, o pólo de ferocidade desse assombroso Arquipélago de GULAG, desgarrado pela geografia num arquipélago, mas psicologicamente ligado ao continente, a esse quase invisível, quase intangível país habitado pelo povo zek.”

in, Arquipélago de GULAG, de Alexandre Soljenitsine

Notas:

Existe um rio com o nome de Kolima

“Povo zek”, leia-se prisioneiros dos campos de concentração do Arquipélago de GULAG.

Livros relacionados:

Arquipélago de GULAG em Espanhol

Meia Vida, Dmitri Petrovitch Vitkovski, de Solovki (livro que gostaria de ver editado em português mas que ainda não descobri em qualquer outra língua)

Contos de Kolima, Varlam Chalamov

Referências:

wikipedia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arquip%C3%A9lago_Gulag

http://en.wikipedia.org/wiki/Kolyma

Blog Da Russia, Recordando Varlam Chalamov, José Milhazes

Site: http://www.communist-holocaust.info/