Quem quer ser bilionário?

O que fazer para sobreviver?

Este filme é daqueles encontros, necessariamente poucos, que não nos deixam indiferentes. É impossível!

Por diversas razões. Porque nos mostra como se sobrevive em Bombaim, desde as crianças até aos adultos (que as usam para sobreviver): os adultos cegam-nas para poderem render mais nas esmolas.

A ideia de perfeição ou imperfeição, a teoria de que somos essencialmente bons, ou essencialmente maus, o próprio significado de pensar sobre o assunto, de teorizar sequer, cai por terra, como se perdessemos a inocência.

Se aqui [em Portugal] discutimos se colocamos o aeroporto a norte ou a sul do Tejo, lá discute-se cada cêntimo, cada cm quadrado. E não é com o objectivo de saber mais, de ter melhor emprego, um outro automeovel ou uma férias diferentes, é apenas para sobreviver um dia mais.

Porque nos mostra o equilibrio precário em que vivemos, sob todos os aspectos: as relações de amizade que sobrevivem, mas que vão sendo quebradas e reactivadas num complexidade absorvente. As relações de poder precário, hoje rei amanhã morto. A precariedade do lugar-tempo, nada é eterno, tudo se modifica segundo a segundo, numa escalada de medos amordaçado noutros medos, até tudo se transformar em ausência de inocência, ninguém confia em ninguém.

Continue reading “Quem quer ser bilionário?”

Benjamin Button

Entardecer
Entardecer

Um filme põe-nos a milhas do dia-a-dia… é talvez isso que compramos. Repousa-nos em poucas simples palavras, palavras que crescem por dentro, imagens de silêncio, conforto, segurança… tudo nos parece sincero, o planeta por inteiro tem significado, até a tristeza e o sofrimento.É um filme conto de fadas com mensagens que nos aliviam um pouco o fardo, tornar a vida mais simples, um engano, ainda assim simplifica o que nós tornamos complicado, outra vezes, é de facto complicado. Como quando nos surge uma impossibilidade, um cheque-mate da vida, daquelas coisas, que é mau ter cão ou por não ter, o que na verdade, é simplesmente a necessidade de decidir e aceitar a perda.

Continue reading “Benjamin Button”