ficámos orfãos de inteligência

Se perdemos este sábio, o que nos pode ajudar são os seus livros, como mapas que nos guiam no desespero. Quem os lerá? Ninguém. Terão razão. Talvez que não precisemos de salvação e que a vida é mesmo só guerra e fome. Bem sabemos que não é assim.

E são especiais, esses livros. Não há nenhum que não ande a bater, até que lhe vislumbro o sabor e está mais do que isso, uma sabedoria intensa que nos aquece e deixa tranquilos. Ah, era isto.

“Nunca fui leitor de um só livro” disse. Talvez que seja a diversidade que nos alimenta o futuro de alguma tranquilidade e não esta teimosa crispação ao outro que vem na história como óleo nas mãos.

Hei-de passar pelos sitios por onde passaste porque não tive a coragem de te apertar a mão e dizer o prazer que tinha em conhecer-te. Obrigado!

https://www.dn.pt/cultura/morreu-eduardo-lourenco-o-filosofo-que-procurou-portugal-no-seu-labirinto-11408268.html

o nosso lado negro

Há autores e livros que nos avisam. Para simplificar, o nosso lado negro. A ideologia nazi existe, ontem, hoje e amanhã. Estava em construção bem antes da I Guerra. Hoje vê-se, encapuçada, laivos apenas, tímidos, escondidos, envergonhados. disso e o desastre poderá acontecer nos próximos 50 anos se não fizermos nada.

“O turbilhão politico das ideologias raciais que deu origem ao nazismo já estava a girar muita antes da primeira guerra mundial.” Fonte: A Ascensão do Terceiro Reich”, Richard Evans, O evangelho do ódio, p.80, 2003.

uff…

Sabemos bem que assusta o manto vermelho. Mas é um prazer ver o manto azul liderar uma América que nos sabe bem. Vai ser duro, mas isso já o Biden sabe há mais tempo do que nós. Muita sorte Kamala e Biden!

Em destaque

escrever — Franz E.

As palavras fogem e queimam. E o escritor também. Foge cobarde a sete pés. Não vê uma, não se lembra, nem de uma, uma que se encaixe, mesmo que o faça retorcida esbaforida louca. E outras vezes, como raio vieste tu aqui parar!? Acontece no fim, quase sempre ao terminar o parágrafo, vem uma simpática […]

escrever — Franz E.

inspirador

palavras para usar todos os dias, em todos os lugares, em todos os tempos

escrever

Há quem diga que é preciso ser louco, até mesmo doente, para se escrever alguma coisa que valha a alguém, agora ou mesmo daqui a décadas. E que bem melhor é se te mantiveres anónimo enquanto escreves. Se a celebridade te atinge lá se vai a independência. Dizem. Sei lá. Vai dai fico a pensar que tudo o que fazemos com algum significado cabe numa mochila pequena porque o que importa é mesmo o que és agora aqui nesse mesmo momento. E se pelo meio escreves, melhor para ti, pelo menos reorganizas-te, mesmo que o que escreves não valha nada, que é o mais certo.

morte

morres só

sim

que podes fazer tu?

deixa em paz quem se prepara para morrer

não há outra forma de o fazer

Não é o mesmo que viver

deixa que os outros morram

sós, sim, que tenham essa dignidade, pelo menos

Franz E., Julho 2020

nada ficou

nada ficou deles, nada vai ficar

a não ser uma bengala, um copo ou uma lembrança

a não ser uma maneira de ser, de estar, de fazer

ou outra lembrança qualquer, um cheiro ou um lugar

mesmo nada os trará, nem esse tempo sequer,

e mesmo assim não te cansas de esperançar

talvez eles me apareçam à porta

fazem-me a falta que não consigo preencher

talvez me apareçam e assim viva mais um dia por inteiro

Franz E., Julho 2020

sorte

que sorte, temos a morte

o que seria viver por aqui eternamente

vendo tudo igual, como há 500 anos atrás

ou mais longe

até os gregos nos dizem o mesmo, seja na literatura ou noutra expressão qualquer

que sorte, temos a morte

José Cutileiro

Não o conheci. Ele não me conheceu, Mas a sua voz lúcida orientava, todos os domingos, entre o meio-dia e a uma, lá vinha aquele comentário baseado em factos, sem ilusões, nem armários, que não se podem abrir, direto ao assunto, com uma argumentação tão forte que nos fazia mais fortes, mesmo que não fôssemos da mesma opinião. Quando a Visão Global mudou de vozes foi uma perda, embora ainda seja uma referência na ANTENA 1. Agora pousa o mesmo autor, mas na TSF, ao sábado, sem a voz lúcida, mas com a mesma energia. Faz falta, muita falta.

https://www.tsf.pt/opiniao/morreu-o-meu-grande-amigo-jose-cutileiro-12205157.html

https://observador.pt/especiais/entrevista-de-vida-ao-embaixador-jose-cutileiro-cantei-o-hino-para-um-casal-de-amantes-em-cabul/