nós

nós

não merecemos estar neste planeta

Casa

A Casa é um misto de vivências de alegria, de segurança, de amor, e de sofrimento, desavenças e desgraças. Mas é a Casa. Tem isso tudo e mais ainda, algo mais forte, é onde somos sem máscara, onde nos ouvem sempre seja qual for a nossa opinião, onde setimos esse calor de pertença que em mais lado nenhum se tem.

caducidade

Não sei o que se entende aqui por caducidade, mas se for o que entendo, análogo ao armário com cheiro a mofo, apetece-me dizer que é muito provável que nos aconteça o mesmo. Aos outros aconteceu assim. Envelhecer significa que a tua geografia emocional vai desaparecendo. Alguém dizia que: “com esta idade, os amigos mais próximos já não estão, e os mais novos têm outra vida que não entendo… sempre com as tecnologias pelo meio.” E não sei se é possível controlar isso, mantermo-nos ativos: há quem tenha essas ganas, bem sei, resta saber se nascemos com isso ou não: resta saber se nascemos com a capacidade de não nos aninharmos na falta de sentido, natural, da vida. O que quer dizer que, para viver , é preciso muita coragem. Muita.

Os outros

O que se falava em sussuro, começa a falar-se no telejornal. O que dizem: “o outro não interessa! “Eu” é que sou a referência, o iluminado.” Pois bem, esses iluminados, necessitam que nos levantemos do sofá e clamemos por democracia, pela diversidade, pela generosidade e tolerância, pelo bom senso, pelo saber e pela luta contra a ignorância: Camus falava disso. Bem sabemos aonde é que esses iluminados nos levam; bem sabemos aonde nos leva a ignorância; bem sabemos aonde nos leva a intolerância: guerra, miséria, confrontos. Se a vida já é dificil, mais dificil fica. O sistema democrático tem ainda essa falha terrível: a transparência, ou melhor, a falta dela. Ao contrário, estes “lobos vestidos de cordeiros” têm muitas palavras-chave para vender o seu produto, para capitalizar votos, o que significa que, nos próximos 40 anos, andaremos a lutar pela LIBERDADE, como outros fizeram por nós! O que estes “iluminados” pretendem é o poder, só por si, não pelos outros.

comum

e o que é comum a todos? Olhando para estas fotos de outro mundo. Há outros de outros mundos. E no fim resume-se a pouco o que é comum entre todos os bípedes que falam com o protocolo humano que se diferencia de sitio para sitio.

As mulheres são ligeiras, usam lenço, ou burca ou se despam com saber, sofisticadas, limpas, suaves como veludo, diretas ao que lhes interesa, às vezes inseguranças como quase todos os homens e estes vivem uma angústia tamanha de lhes faltar o tempo para mostrarem do que são capazes, é uma angústia e uma depressão severa, usem que roupa usarem.

E comunicamos à velocidade que nos for possível no momento, guardamos a família e os haveres e não, não gostamos de estar parados porque sabemos que no outro lado fazemos a diferença. Há momentos de guerra severa em que se salta a cerca da humanidadee se cortam pescoços. Há momentos de generosidade em que se dá toda a vida por inteiro por um povo ou só por uma mão que pede.

Cada uma destas fotos deveria e mereceria e virá a ter a sua legenda. A interceção seria interessante para perceber o que vai na mente do ser humano tão frio e quente ao mesmo tempo dependendo da história que lhe contarem e de que modo acredita nela, se lhe trás algum valor em aceitá-la.

liberdade

300px-Federica_MontsenyPensem os inimigos da liberdade o que pensarem uma sociedade trás em si o embrião de uma nova ordem que lhe sucede.

Federica Montesory, https://pt.wikipedia.org/wiki/Federica_Montseny

 

E  história repete-se, descrito num excelente documentário que passou, obviamente, na RTP 2.

Ao que parece, já ninguém, ou poucos procuram, como Federica o fez, em ser cultos e adultos. Preferimos, em geral, permanecer numa adolescência crónica que invadiu tudo. Parece que temos medo desse mundo do lado de lá. Os outros ficam calados e nada fazem, nem escrevendo uma linha quanto mais alertarem para o que ai vem. Falo dos salazarismo, franquismos, hitlerismo, stalinismos, etc.

Adiante. Muitos como Federica, sofreram, outros sofreram ainda mais e muitos pagaram com a vida. Ao que parece esses tempos estão a voltar. E haverá outras Federicas, e outros e outras ainda que vão ficar esquecidos/esquecidas na história, sem direito a um documentário, mas que se orglharam de lutar pela liberdade. Vamos ver como vais tu reagir?

a propósito

bem me lembro de alguém dizer, lembrar-se de ter visto, a primeira vez que o filme “pato com laranja” passou na televisão portuguesa. Ou mesmo o filme em que se mostra o primeiro beijo. A particularidade é que o fez, falo do que tem pato, estando em casa de um padre. O que se falou disso por todo o país. E isto faz-me lembrar aquilo. Interessa pois dar uma opinião. Sim, que se mostre. Sim, se alguém fez arte. E sim, é preciso proteger as crianças, sabe-se lá o que pensariam ou o que fariam sem qualquer explicação sobre o assunto, duvido que haja quem o soubesse fazer, muito antes de poderem pensar que isto não é paraíso algum, e que a mente é bem mais perversa, mesmo sabendo que algumas já sabem que neste mundo há quem se esqueça dos outros, se esqueça de si e aprecie o sofrimento, seu e dos outros e alguns que felizes vivem com o sofrimento dos outros, e que outros lutem pela sobrevivência para causar sofrimento nos outros. Falo obviamente a propósito da exposição na Fundação de Serralves. Um lugar com L maior, maiúsculo. Ainda bem há disto, polémica e discussão do que somos afinal por aqui.

há um vazio

há um vazio estranho, uma incerteza severa, como um rio que segue e só se sente de quando em vez. Uma ausência de sucesso que não nos dá um sorriso de encher o corpo. Murchamos como figos ao sol. E para quê? Se amanhã será outro dia, se daqui a pouco estarás acompanhado. A verdade é que vais de perda em perda, amigos que se vão, familia que se vai e o tempo que não volta, os lugares impossíveis, os acontecimentos que não acontecerão jamais, mesmo que ainda haja uma estupida memória que te os aviva e te dá a esperança morta de ainda virem a acontecer. O eterno retorno. Bah… procura outros, faz coisas novas, percorre caminhos diferentes. Mas desse vazio pequenino e mesquinho não te safas. De quando em vez pim, toca-te à porta.