a propósito

bem me lembro de alguém dizer, lembrar-se de ter visto, a primeira vez que o filme “pato com laranja” passou na televisão portuguesa. Ou mesmo o filme em que se mostra o primeiro beijo. A particularidade é que o fez, falo do que tem pato, estando em casa de um padre. O que se falou disso por todo o país. E isto faz-me lembrar aquilo. Interessa pois dar uma opinião. Sim, que se mostre. Sim, se alguém fez arte. E sim, é preciso proteger as crianças, sabe-se lá o que pensariam ou o que fariam sem qualquer explicação sobre o assunto, duvido que haja quem o soubesse fazer, muito antes de poderem pensar que isto não é paraíso algum, e que a mente é bem mais perversa, mesmo sabendo que algumas já sabem que neste mundo há quem se esqueça dos outros, se esqueça de si e aprecie o sofrimento, seu e dos outros e alguns que felizes vivem com o sofrimento dos outros, e que outros lutem pela sobrevivência para causar sofrimento nos outros. Falo obviamente a propósito da exposição na Fundação de Serralves. Um lugar com L maior, maiúsculo. Ainda bem há disto, polémica e discussão do que somos afinal por aqui.

perguntas cruciais

“Talvez toda a curiosidade possa ser resumida na famosa pergunta de Michel Montaigne, “Que sais-je?”, “Que sei eu?” [1].
 
A pensar nisto, talvez que uma pergunta melhor fosse, “o que quero eu saber?” E ai poderemos saber, poderás saber, qual o caminho que vais percorrer. Qual seria a tua pergunta crucial?
[1]. Alberto Manguel, Uma História da Curiosidade, p.12, Tinta da China, MMXV, Lisboa.

vais-te despir em público?

é mesmo isso. escrever é como despir-se em público. ou melhor. quando se publica é mais assim. despir-se em público. nem todos o conseguem. assumir-se. aceitar-se. tal qual. a maior parte das vez escusamo-nos por detrás do “se calhar não é bom”, para quê publicar. mas é mais, não tenho coragem de dizer o que sou e o que penso e de o defender. claro.

Cultura

 

 

Cultura. É o que fica. É do que me lembro. Nem automóveis, nem telemóveis de ultima geração, nem roupa, nem gagets nenhuns, nem casa com vista sobre a cidade. Do que me recordo com prazer, são esses momentos, bons e maus, em cultura. Ver os outros a representar o que de melhor temos aqui e além mar. Claro, as viagens também. Mas não é cultura também?

verdades

Sendo eu mais ateu do que católico, menos religiosos do que religioso, e respeitando as opções religiosas (pode-se discutir a religião por si, mas não a opção que uma pessoa faz por esta ou aquela religião) fico sempre de “pé atrás” com a metáfora da religião católica: é demasiado idílica para mim. Não tem nada de errado: amor, conhecimento, inteligência são referências. Contudo, a verdade deixa-me incerto: o que é verdade para mim não é para outro, e se eu não aceito a do outro, não é possível estar aqui sem a miséria da guerra.

Não há uma verdade, nem “a verdade”, há verdades. Posso explicar os átomos ou os planetas e saber que esses conceitos são úteis para o conhecimento e para o dia-a-dia e isso continuar a ser uma metáfora tal como outras, ou ser “errado” ou “não-verdade” para outros, simplesmente porque a visão de mundo ou a sua estratégia de vida não necessitam disso.

Lembro-me de ver recentemente um documentário sobre um povo que vive na floresta amazónica e toda a sua “verdade” fazia sentido, embora, para nós fosse a idade média. Mas, certo, é que o modo como viviam lhes garantia a sobrevivência numa simbiose perfeita com o seu meio ambiente, enquanto que o nosso modo de vida, em breve, esgotará os recursos deste planeta, caso nada seja feito em contrário.

A minha verdade, é que existem “outros” que de outro modo pensam, e que se eu os ouvir, tenho a certeza que também serei compreendido. E também sei, que se toda a minha ciência e técnica esbarrar contra a sustentabilidade deste planeta, a coisa não terá futuro.

E também reconheço, que a guerra, tendo sido solução, é solução e será solução para quem manda, deixa uma nódoa que não se cura, aprende-se a viver com isso: como se da morte de um filho se tratasse.

E também sei, se não fizer o que acho que devo fazer agora, não será na morte que o farei. Se temos tempo agora, importa saber onde se encaixam as minhas verdades, a minha religião e cultura: muitas mais existem, com iguais virtudes e desvirtudes, com história e muitas verdades e ensinamentos.

Outra verdade, é que o que é perene é-nos útil: falo da educação, da cultura, do conhecimento, de produzir algo de útil, das relações, do reconhecimento do outro.

Verdade é o facto de termos que ir resolvendo os conflitos e os desafios que o tempo nos vai colocando, os primeiros, negociando, os segundos, aceitando-os com determinação.  E isso é o futuro, o nosso futuro: viver com verdades e melhorar a nossa verdade.

reasoning

If you reason to much, you might loose life. Life is, instead, complex.