comum

e o que é comum a todos? Olhando para estas fotos de outro mundo. Há outros de outros mundos. E no fim resume-se a pouco o que é comum entre todos os bípedes que falam com o protocolo humano que se diferencia de sitio para sitio.

As mulheres são ligeiras, usam lenço, ou burca ou se despam com saber, sofisticadas, limpas, suaves como veludo, diretas ao que lhes interesa, às vezes inseguranças como quase todos os homens e estes vivem uma angústia tamanha de lhes faltar o tempo para mostrarem do que são capazes, é uma angústia e uma depressão severa, usem que roupa usarem.

E comunicamos à velocidade que nos for possível no momento, guardamos a família e os haveres e não, não gostamos de estar parados porque sabemos que no outro lado fazemos a diferença. Há momentos de guerra severa em que se salta a cerca da humanidadee se cortam pescoços. Há momentos de generosidade em que se dá toda a vida por inteiro por um povo ou só por uma mão que pede.

Cada uma destas fotos deveria e mereceria e virá a ter a sua legenda. A interceção seria interessante para perceber o que vai na mente do ser humano tão frio e quente ao mesmo tempo dependendo da história que lhe contarem e de que modo acredita nela, se lhe trás algum valor em aceitá-la.

Quem sentarias?

Imagina que podes escolher duas pessoas para se sentarem aqui à conversa. Quem seriam?

Sério, seria eu e o Educardo Lourenço, queria ouvi-lo responder às minhas ansiedades. Mas para ele seria um aborrecimento conversar com uma mente tão limitada.

O melhor seria mesmo sentá-lo com o a Elvira Fortunato, e não é por uma questão de paridade de género. É porque são duas pessoas, daquelas a sério, e há muitas neste planeta Portugal, mas que nem liga, elas não precisam de aparecer, mas nós precisamos delas tanto tanto… por exemplo, para uma coisa simples, evitar os vinte mil milhões e a corrupção em que nos vamos afundando. E outras coisas claro.

doisBancosJardim

a propósito

bem me lembro de alguém dizer, lembrar-se de ter visto, a primeira vez que o filme “pato com laranja” passou na televisão portuguesa. Ou mesmo o filme em que se mostra o primeiro beijo. A particularidade é que o fez, falo do que tem pato, estando em casa de um padre. O que se falou disso por todo o país. E isto faz-me lembrar aquilo. Interessa pois dar uma opinião. Sim, que se mostre. Sim, se alguém fez arte. E sim, é preciso proteger as crianças, sabe-se lá o que pensariam ou o que fariam sem qualquer explicação sobre o assunto, duvido que haja quem o soubesse fazer, muito antes de poderem pensar que isto não é paraíso algum, e que a mente é bem mais perversa, mesmo sabendo que algumas já sabem que neste mundo há quem se esqueça dos outros, se esqueça de si e aprecie o sofrimento, seu e dos outros e alguns que felizes vivem com o sofrimento dos outros, e que outros lutem pela sobrevivência para causar sofrimento nos outros. Falo obviamente a propósito da exposição na Fundação de Serralves. Um lugar com L maior, maiúsculo. Ainda bem há disto, polémica e discussão do que somos afinal por aqui.

perguntas cruciais

“Talvez toda a curiosidade possa ser resumida na famosa pergunta de Michel Montaigne, “Que sais-je?”, “Que sei eu?” [1].
 
A pensar nisto, talvez que uma pergunta melhor fosse, “o que quero eu saber?” E ai poderemos saber, poderás saber, qual o caminho que vais percorrer. Qual seria a tua pergunta crucial?
[1]. Alberto Manguel, Uma História da Curiosidade, p.12, Tinta da China, MMXV, Lisboa.

vais-te despir em público?

é mesmo isso. escrever é como despir-se em público. ou melhor. quando se publica é mais assim. despir-se em público. nem todos o conseguem. assumir-se. aceitar-se. tal qual. a maior parte das vez escusamo-nos por detrás do “se calhar não é bom”, para quê publicar. mas é mais, não tenho coragem de dizer o que sou e o que penso e de o defender. claro.

Cultura

 

 

Cultura. É o que fica. É do que me lembro. Nem automóveis, nem telemóveis de ultima geração, nem roupa, nem gagets nenhuns, nem casa com vista sobre a cidade. Do que me recordo com prazer, são esses momentos, bons e maus, em cultura. Ver os outros a representar o que de melhor temos aqui e além mar. Claro, as viagens também. Mas não é cultura também?

verdades

Sendo eu mais ateu do que católico, menos religiosos do que religioso, e respeitando as opções religiosas (pode-se discutir a religião por si, mas não a opção que uma pessoa faz por esta ou aquela religião) fico sempre de “pé atrás” com a metáfora da religião católica: é demasiado idílica para mim. Não tem nada de errado: amor, conhecimento, inteligência são referências. Contudo, a verdade deixa-me incerto: o que é verdade para mim não é para outro, e se eu não aceito a do outro, não é possível estar aqui sem a miséria da guerra.

Não há uma verdade, nem “a verdade”, há verdades. Posso explicar os átomos ou os planetas e saber que esses conceitos são úteis para o conhecimento e para o dia-a-dia e isso continuar a ser uma metáfora tal como outras, ou ser “errado” ou “não-verdade” para outros, simplesmente porque a visão de mundo ou a sua estratégia de vida não necessitam disso.

Lembro-me de ver recentemente um documentário sobre um povo que vive na floresta amazónica e toda a sua “verdade” fazia sentido, embora, para nós fosse a idade média. Mas, certo, é que o modo como viviam lhes garantia a sobrevivência numa simbiose perfeita com o seu meio ambiente, enquanto que o nosso modo de vida, em breve, esgotará os recursos deste planeta, caso nada seja feito em contrário.

A minha verdade, é que existem “outros” que de outro modo pensam, e que se eu os ouvir, tenho a certeza que também serei compreendido. E também sei, que se toda a minha ciência e técnica esbarrar contra a sustentabilidade deste planeta, a coisa não terá futuro.

E também reconheço, que a guerra, tendo sido solução, é solução e será solução para quem manda, deixa uma nódoa que não se cura, aprende-se a viver com isso: como se da morte de um filho se tratasse.

E também sei, se não fizer o que acho que devo fazer agora, não será na morte que o farei. Se temos tempo agora, importa saber onde se encaixam as minhas verdades, a minha religião e cultura: muitas mais existem, com iguais virtudes e desvirtudes, com história e muitas verdades e ensinamentos.

Outra verdade, é que o que é perene é-nos útil: falo da educação, da cultura, do conhecimento, de produzir algo de útil, das relações, do reconhecimento do outro.

Verdade é o facto de termos que ir resolvendo os conflitos e os desafios que o tempo nos vai colocando, os primeiros, negociando, os segundos, aceitando-os com determinação.  E isso é o futuro, o nosso futuro: viver com verdades e melhorar a nossa verdade.