lavados

há muito que perdemos a Terra dos pés e das mãos

há muito que lavamos a Terra dos  pés e das mãos que ainda são tuas

há muito que sacudimos a terra maldita

saímos lavados, tão limpos, brilhantes

tudo vai perfeito: um carro lavado, roupa da moda, óculos de sol da marca xpto e até o cão tosquiado, tudo peeerrrfeitooooo, perrrrifeeetinho, como deve ser

nem vale a pena dizer nada, é mesmo assim

queria que o mundo, as pessoas, não fossem assim, mas são, somos!

 

último

Há um último olhar sobre a tua terra que não queres saber quando é, mas que queres sempre dar mais um último olhar à tua terra.

Saibas ou não saibas que é esse o último

Andamos com o passado ao cólo

para que não mude

para que nada mude

sempre com medo que alguma coisa mude

45 graus

#49 Mª Carmo Fonseca – Genética e Biologia Molecular

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viciados

Como a pessoa viciada em heroína, em qualquer outra ina, sabendo que vai sofrer e morrer disso, continua.

Isso porque não há nada que lhe diminua o sofrimento se não a tal ina. É um sistema sem retorno e realimentado.

Bem sabemos que o nosso estilo de vida nos irá excluir deste planeta. Está eminente. Quero mais isto e aquilo, e depressa, e tudo isso e aquilo significa energia, gastá-la a torto e a direita… o que farias, se te sobreasse apenas a água num balde, para atravessar um deserto imenso? O que farás se te sobra apenas essa energia que vai nesse balde? Abanamos as cabeças, concordamos, a moral fica bem, era assim que devia ser e… largas a corda… fugimos a sete pés direitos às lojas.

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amor

Quando acordamos com a ausência de amor, quer dizer, sem cuidado sincero, nem alegria quente, muito menos vontade de estar, fechamos a cortina, recolhemos à carapaça, fingimos ou escapulimos à procura de uma casa em que a porta se abre sem perguntar quem és e ao que vens.

porque carregas esse fardo?

porque é que carregas esse fardo? De a todos teres que agradar, de tudo quereres salvar, de avaliares tudo pela tua impoluta maneira de ser, referência que todos deveriam seguir, tão cego que fico em silêncio, cegueira que se converte numa lamúria intensa, de chorar em contínuo as perdas, de regressar ao passado onde sabíamos como funcionavam as coisas, como as controlavamos, as coisas “como devem ser”, à tua imagem. Quando em breve nada disso tem importância, porque tudo muda, inevitavelmente, e no entretanto, passas o tempo a lamuriar ao invés de viver com os outros, trabalhar com eles o seu futuro e aceitar que nada pode ser do único modo que pensas. Nada.

“burro”

essa do “burro” é uma história, como muitas, mal contada. Einstein não era burro nem “burro”. Era um aluno acima da média. O episódio, embora mais complexo, pode contar-se rapidamente. Não queria ficar longe da família, vai dai, bem pensou, melhor o fez: mau comportamento e notas insuficientes. Lá se juntou à família.

Aliás, há burros mas não há “burros”, embora em todos os cantos ouçamos  “burros” a dizer que outros são “burros”: uma expressão fácil, mas somos todos de algum modo, em alguma área, “burros”. E quantas vezes fomos “burros”? Quer dizer, quantas vezes decidimos mal. Já o burro é um animal inteligente.