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esses filmes andam anos e anos nas nossas cabeças… e se os voltamos a ver… mais intrigantes ainda, sem perceber bem aquela necessidade de falar do que não se diz em público, deste paradoxo que é eu e “eu”, vida e “vida”, ser ao mesmo tempo uma única e a de todos, e da velocidade a que se diz na tela. Talvez que a vida seja mais qualidade do que quantidade embora muitos apenas sobrevivam e outros nadem em abundância tal que se tornam ávidos de mais e mais.

 

 

sem sentido

Apesar da vida não ter sentido, por isso, ficas mais liberto para lhe dar um. E aqui estás por tua conta. Ou escolhes um que inclua a tolerância, a partilha e a colaboração com os outros ou poderás seguir o individualismo, a ganância e a solidão. Há quem não possa optar, só tenha uma solução, há outros que querem um milhão on banco, e para quê?

morre-se todos os dias, vive-se entre os despojos de guerra

Haverá outros lugares emocionais que nos dão alegria e que nos parecem termos sido felizes, ou estarmos a fazer bem: quer dizer, os outros gostam de nós e do que fazemos. Entre o que os outros acham e a qualidade do que fazemos pode haver uma enorme diferença, sendo que a ideia da “sabedoria da multidão”, essa avaliação última, nos derrota sempre: quem és para pôr em causa essa última voz. Tem sido sempre assim, apesar do esforço, há essa arrasto, essa réstea de insatisfação dos outros pelo que és. Apesar das boas intenções e da suprema, entre as melhores, vontade. Certo, certo é que a vida escorre assim e não de outra maneira. Volta e meia andas entre os corpos, vozes e restos do que és e do que te aconteceu. Lamentas. “Lamentarias” é a gasolina da vida e se estás só é porque estás vivo. Habitua-te! E lá seguimos em frente, que não é assim tão positivo, é mais para o inevitável porque isto roda, não pára nunca, e segues mesmo com essas ruínas no teu passado, que te tiram o sono e te fazem escrever isto. Habitua-te. Sim, já estou habituado, mas se a vida vai sendo cada vez mais despojos e se as forças diminuem, não há como limpar este esterco todo. deixa ficar. Passa ao lado, lamenta, segue. Olha para o lado positivo da vida. Bem sei. Mas este lado, esta inundação sufocante, negra, quase bréu, vai como um rio subterrâneo. Habitua-te.

comum5

Após os bem sucedidos Doin’ Allright e Dexter Calling, ambos de 1961, o saxofonista Dexter Gordon [27 Fevereiro 1923 – 25 Abril 1990] reuniu um elenco de luxo luxo para gravar Go! nos Estúdios Van Gelder, em 27 Agosto 1962. Deixo aqui Cheese Cake, o único tema do álbum composto por Gordon. Butch Warren, contrabaixo […]

via ‘Cheese Cake’, de Dexter Gordon — O Universo Numa Casca de Noz

direito

Não importa se tens uma visão de que tudo isto é uma selva, ou se a tua ideia é a da lei, mesmo assim, os dias não deixam de passar e a tua vida não deixa de se fazer, estejas parado, sentado, inerte, depressivo, vagabundo, ladrão, preso, açoitado, torturado, amordaçado, ou na miséria, nalguma festa, ou na praia, perto de quem queres ou solitário, no meio do mar, ou na terra solta, fica tudo uma incerteza maior se olhares para todos e aí sim, faz diferença. Mas não deixa de ser uma febre a conquista da liberdade, vivas em ditadura do que quer que seja ou já no meio da liberdade, é uma luta alcançá-la é uma luta mantê-la. Sendo eu um ladrão, mesmo que tenha roubado em miséria, para satisfazer uma necessidade, não o posso lamentar, há esse paradoxo, um gume de faca que teremos de aprender a navegar.

Mas eu quero a lei, a democracia, a distribuição da riqueza, a possibilidade de vencer, nem que por um pouco apenas, para viajar com esse dinheiro, para que me seja dada um pouco de liberdade, que não seja apenas a de poder falar, não que menospreze, não podia, outros morreram por isso, lutaram por isso, estamos nós aqui e agora, para além de a manter, temos de a preservar, e de garantir que a riqueza se espalhe para que viajar seja um direito, e não um previlégio de alguns, para que assim possamos ver os outros, para que ninguém tenha de odiar porque poderá perder a malga de sopa que tem no colo.

O Ladrão, Franz E., setembro 2020

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racistas

à chucha calada vão todos dizendo que não queremos cá os migrantes nem nada que rime com diferença: ou são gatunos ou fogem porque sim, dizem.

A verdade são três: somos todos racistas, xenófogos e tudo o que rime com “não à diferença”; aqueles que navegam incerto rumo à Europa não sabem ao que vão, preferindo isso àquilo que deixam; e a terceira, é só para dizer que virão mais, e um dia és tu que vais subir para uma jangada ou para o que quer que for para fugires daqui.

Não admira que os genocídios/eliminacionismos aconteçam: agora percebe-se! Somos territoriais à quinta casa e não queremos partilhar nada, nem o planeta quanto mais o continente ou o quintal.

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fonte: https://brewminate.com/dark-bloody-and-savage-20th-century-european-violence-and-its-narratives/