quando

quando abraças, apertas, choras, baixas as guardas, páras de lutar, agarras, salvas, é quando te salta o mais humano, e te esmurra no fim: não valeram a pena tantas mortes, tanta loucura, tanta correria, tanta ansiedade, tanta miséria, fome, tristeza.

Valeria a pena perguntar a todos os  humanos se estariam interessados em repetir outra experiência de vida. Estou convencido que a maioria não o quereria.

Não estamos em lado nenhum, nem em tempo algum antes e depois da morte. Antes e depois não são parametrizáveis de nenhuma maneira, a não ser que estejas vivo. Só se estiveres vivo e só se o disseres enquanto. O tempo existe só nesse momento. Só nesse momento és humano.

Mom. I will tell our story.

https://www.dw.com/en/victim-of-auschwitz-twin-experiments/av-52151522

eliminiacionismo

Parece que nos deixamos estar a pensar que o bem, “o lado Bom”, ganha sempre, e que não é preciso levantar o rabo do sofá, para acordarmos e já estarmos numa situação em que somos obrigados a aceitar estas deformações como parte do quotidiano: o outro, não sendo como eu, que faço parte do status atual, tenho o dever de o esmagar, de o queimar, de o eliminar, como se o eliminiacionismo fosse uma coisa normal, banal, até mesmo uma exigência. Sim sim, o eliminiacionismo acontece, em todo o lado, aconteceu e irá acontecer, podes até matar os teus próprios vizinhos, têm é que ser combatido, todos os dias!

https://en.wikipedia.org/wiki/Eliminationism

ferida

Se vai à vida com medo de morrer ou se escreves com medo de fazer ferida… muda de sonho ou esquece a caneta

duas

uma é essa terrível maneira de não ajudar, de sair a criticar, de vaiar e humilhar o outro

a outra não me lembro

viver e morrer diversas vezes

Entre aquela e esta vida há muitas pelo meio. Vive-se e morre-se por diversas vezes numa vida apenas. Não somos a mesma pessoa ano após ano, década após década. O que eras, morreu.