gelado


já viste… ouve bem, isto parece de garoto,

vá, diz lá, volta-se o outro com a garrafa apontada à boca e a cabeça empinada, os olhos de lado, não vá perder uma gota que seja.

– “estás agarrado a um gelado, tão agarrado, fazes tanta força, olhas e reolhas em reodrmesmo sabendo que não te tráz de volta a voz “hoje pago-vos um gelado”. Essa voz de conforto que nunca mais existirá neste mundo, ficou gravada desde pequeno. Esses momentos, hilariantes, enchiam o corpo de uma felicidade que chegava a todos os poros, porque era raro, mas quando acontecia era com a ternura por dentro. Agora, sento-me no mesmo sitio, só, e queria ouvir outra vez, poder voltar atrás nem que fosse meio-segundo, só isso, meio… mas só isso… mesmo assim, poder sentar-me no mesmo sitio, na mesma avenida, na mesma cidade, na mesma praia, no mesmo muro, com o mesmo vento, o mesmo aroma, o mesmo som, já me reconforta, e ter tido aquela voz, inigualável.

Talvez um dia eu possa interpretar essa voz com outro, e que talvez esse outro lhe sinta a falta quando for maior.”

quando acabei, estava o da cerveja com os cotovelos em cima do balcão, as duas mãos abraçadas à garrafa e um olhar perdido no tampo. Não fazia ideia nenhuma do que lhe contava.

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