direito


Não importa se tens uma visão de que tudo isto é uma selva, ou se a tua ideia é a da lei, mesmo assim, os dias não deixam de passar e a tua vida não deixa de se fazer, estejas parado, sentado, inerte, depressivo, vagabundo, ladrão, preso, açoitado, torturado, amordaçado, ou na miséria, nalguma festa, ou na praia, perto de quem queres ou solitário, no meio do mar, ou na terra solta, fica tudo uma incerteza maior se olhares para todos e aí sim, faz diferença. Mas não deixa de ser uma febre a conquista da liberdade, vivas em ditadura do que quer que seja ou já no meio da liberdade, é uma luta alcançá-la é uma luta mantê-la. Sendo eu um ladrão, mesmo que tenha roubado em miséria, para satisfazer uma necessidade, não o posso lamentar, há esse paradoxo, um gume de faca que teremos de aprender a navegar.

Mas eu quero a lei, a democracia, a distribuição da riqueza, a possibilidade de vencer, nem que por um pouco apenas, para viajar com esse dinheiro, para que me seja dada um pouco de liberdade, que não seja apenas a de poder falar, não que menospreze, não podia, outros morreram por isso, lutaram por isso, estamos nós aqui e agora, para além de a manter, temos de a preservar, e de garantir que a riqueza se espalhe para que viajar seja um direito, e não um previlégio de alguns, para que assim possamos ver os outros, para que ninguém tenha de odiar porque poderá perder a malga de sopa que tem no colo.

O Ladrão, Franz E., setembro 2020

comum7

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