Sob qualquer deus


O ser humano vive sob qualquer deus, desde que acredite que essas leis dão ordem lógica dentro da bolha em que cada um vive, no grau de desinformação que esse cérebro é capaz de suportar, adequado à cultura que aprendemos, ao que vivemos e sentimos. Não só suportamos pouca desordem como as experiências traumáticas de guerra, fome, desordem e mau estar vincam e encerram essa bolhas em ódio e desesperança.Mesmo que issoa ocnteça todos os dias no ecrã e seja só essa a fonte de desinformação sobre oq ue de facto se passou.

Ao contrário ficamos desorientados com tanta informação contraditória. E se alguém chega à porta pedindo auxílio, reforçando que o teu contributo é crucial, há por ali um caminho, pertences a alguma coisa, há uma ordem, mesmo que não concordes com tudo o que esse deus te diz, pelo menos ficas com a bolha varrida de algum lixo que provoca desordem.

Também é verdade que temos algum grau de escolha, há um momento em que escolhemos uma ordem, escolhemos isto e não aquilo, de acordo com  a nossa cultura, com o que aprendemos, com a experiência, com aquilo que sabemos, com as opções que chegam neste momento. Matar ou morrer? Matar em nome de um ódio que nasceu de uma desordem enigmática? Esconder os olhos e os ouvidos à miséria? Esquecer que o que faço prejudica outros, os futuros outros ou a mãe natureza por si. É um processo de encerramento onde os outros não existem. Pelo menos os outros distantes e odiosos.

Mais ainda, tendemos a credibilizar esse deus se tem história, se vem do passado, se vem de uma tradição, se já era assim com os teus avós, isso significa mais experiência, terá mais sabedoria para enfrentar o futuro. Acabas por pertencer a um grupo onde te vão agradecendo, no minimo, a tua participação. Até conseguimos sorrir.

Só muito mais adiante, essa bolha encerra, arrependida, o floreado é sempre falso, esse deus provoca sofrimento, transforma-se num diabo, ele mesmo intoxicado pelo poder, humano, não tolera que o deponham ou que o contradigam.

E no meio disto tudo, ao contrário disto tudo, temos as bolhas abertas, ávidos de informação, até ficarmos intoxicados, queremos saber de tudo, estar bem informados, comemos o tempo, à procura de ordem, consumindo este e o outro mundo, de algazarra em algazarra, em filas intermináveis, estamos confortáveis, lá seguimos esse deus.

A verdade, é que com muito menos podemos viver e melhor viver se com os outros podermos concertar pontos de vista. Vai mal este mundo quando se cega aos outros, criando muros em vez de pontes, por medo ou por falta de oportunidade, ou por excesso de informação e desinformação.

Deste lado, não quero confusão nem muito alarido, lá vamos seguindo a nossa vidinha, numa bolha mais ou menos equilibrada, falando com todos para podermos ver todos.

Vamos vendo sim, vemos sim, outras maçãs podres cairem, digo, diabos, e outros deuses aparecerem. Não sabemos as suas agendas, não sabemos ao que vêm, mas que arrastam multidões que se vão encerrando, numa tradição que não é a Europa do Tratado de Maastricht, 1992, mas que nos irá cair em cima dentro em breve.

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