escrever — Franz E.

Em destaqueescrever — Franz E.

As palavras queimam e fogem. Desaparecem. Nenhuma parece caber no puzzle. O escritor bem quereria fugir a sete pés. Não pode e não se lembra de uma, que se encaixe, mesmo que retorcida esbaforida louca. Neste vai-vem cai-lhe uma vinda de não sei de onde, num momento qualquer, sem lógica nenhuma. Uff… Como raio vieste tu aqui parar!? Ainda bem. Ainda bem. Lá se pode terminar o parágrafo, a frase, essa simpática que se deitou meliflua como seda. Ah, se isso não acontece, morremos. […]

escrever — Franz E.

17′: uma lição de humanismo.

https://edition.cnn.com/videos/tv/2021/08/25/amanpour-afghanistan-albania-prime-minister-edi-rama-refugees.cnn

Morreu Jorge Sampaio, o Presidente que chorava de emoção

Foi Presidente da República de 1996 a 2006. Antes esteve quase seis anos à frente da Câmara de Lisboa e três como líder do PS, tendo perdido as legislativas de 2001 para Cavaco Silva. Licenciado em Direito, nasceu em Lisboa a 18 de setembro de 1939.

Fonte: Morreu Jorge Sampaio, o Presidente que chorava de emoção

bem sabemos o que iremos dizer daqui a 20 anos…

Artigo de Pedro Ramos, Nascer do Sol, 21 agosto 2021, https://sol.sapo.pt/artigo/744332/tecnologia-e-arquitetura-de-vida

Para quem pode seguir estas linhas que o faça. Há quem não possa. Não saiba. Nem sequer faça parte do imaginário. Por pobreza, também vai quem não pode. Por estar de mão atadas a afazeres impossíveis de delegar noutros, igualmente. Quem puder, faça favor. Eu não posso. Há estacas amarradas ao meu corpo, algumas cravadas, outras soltas, todas fazem com que os pés não toquem no chão, quanto mais me façam caminhar, sequer imaginar caminhar a não ser ao passado, esse esconso lugar quente, onde te enroscas seguro, ouves vozes mudas, de outros tempos, vozes que te fazem respirar. Quem puder, por favor, faça-o.

Farol

Dentre todo este mundo toldado, sempre toldado. já toldado, anteriormente toldado, à frente a toldar, continuando toldado, há quem nos sirva de referência no bréu da ignorância. Vêm em livros, surgem em fotos, aparecem no teatro, na música e nos quadros, na cultura e na arte, dentro das universidades e por todo o lado onde se escreve com argumento, seriedade e ética, com tolerância, sem menosprezar o outro e sem desejo de fama falsa e passageira. Há quem venha por bem, há quem venha só por si.

tens tempo?

tens tempo? Olha para a minha cara, estou a chorar?

Não, disse ele

Mas estou! Não parece, mas choro. Há 20 anos. E não tenho com quem partilhar esta miséria.

Nem tu nem ninguém. Ou pensas que há por ai amigos…

Perdi-os. Aos que achava amigos, três ou quatro, e acho que eram amigos, foram desaparecendo. Ter uma amigo é um trabalho do caraças. Dá dor de cabeça. Consome tempo. Os amigos de infância não falo com nenhum vai para mais de cinco anos. Alguns há mais de dez. Aos de agora, vou telefonando a um ou dois. Mas não tenho a coragem de lhes contar estas coisas. Falo das dificuldades mas não das intimidades. É talvez o pior na idade adulta, não termos com quem desabafar. É por isso que os padres têm freguesia. Vivemos ao lado de quem sofre e não lhes perguntamos. E eles, nem nós, não respondemos. Por medo. Acho. Mesmo que seja um familiar.

Eu também queria um amigo a quem pudesse dizer intimidades. Quem sabe o que faria com essa informação. O que me disseste agora morre aqui, Está descansado,

Volta e meia somos mordidos pelo passado, ou mesmo inundados, até com lama que arrasta tudo, desorganizada, estraga, parte. Reconstruimos. Bem certo. Mas com os mesmo tijolos, a mesma madeira, a mesma porta e a janela de ontem. Ficamos os mesmos.

Já vi muita gente açoitada a sério. Em documentários e entrevistas. E assim, pessoas que de um momento para o outro a vida delas parece não ter futuro. Acontece um acidente. E dali em diante, ou superam o desafio, ou mesmo com dificuldades começam outras vidas.

pai

nesse dia, fugi como um cão danado, cansado, farto, derrotado, não morreria, bem certo, vi-te os olhos, filha, era tarde, numa rua que desce, uma tristeza que afunda mais do que eu, nesses teus escuros olhos, de uma ternura jamais, uma mão pequena, um adeus leve, “quem me vai ler as histórias, pai?” Essas palavras trespassam como uma vara de ferro, sem matar, sangras pela vida toda, sem dizer a ninguém. Em silêncio. Um silêncio que não querias conhecer, nem sabias que existia.

a falta que os outros nos fazem e somos capazes de dizer tão mal deles. Desdenhar até, deles, claro. Isso naõ mudaremos. Outra esperança na paragem seguinte, e podemos até pensar que esta pandemia nos fez mudar de velocidade. Não sei se o continuaremos, talvez, era bom, mas não: a avidez da novidade faz-nos correr. Mesmo bom, que em vez de automóveis, houvessem apenas bicicletas. A velocidade é dez menos. Viveríamos dez vezes mais. Hum?