tirar água do mar com uma colher

Não a conhecia, como não conheço tanta gente de coração bom. Ouvi a notícia do funeral. Ficam as palavras. Prémio Shakarov 2009, Fundadora do grupo “Helsinquia de Moscovo”, de pouco se faz muito.

https://pt.euronews.com/2013/06/04/russia-nega-perseguicao-a-ativistas-sociais-durante-cimeira-com-ue

https://en.wikipedia.org/wiki/Lyudmila_Alexeyeva

 

música, palavras para quê

caminhando

caminho porque não quero morrer sem ter visto, ouvido ou dito qualquer coisa que ajudasse outro, outra, seja animal, humano ou vegetal.

O que se perde de vez

Há uma voz que disse, vocês europeus perderam o sentido de família, é esse o vosso problema principal. Bem verdade. Ainda vai havendo sintomas de ajudar quem está, ou deveria tar, mais próximo. Não é que seja o problema principal, é um deles. Esta correria empurra-nos, e no fim, estatelamos-nós no chão como perdidos. Há volta nada, ou muito pouco. E nem a poesia te salva do que perdeste. Ficas sabiamente ferido. Para sempre. Dito.

Arcadas

Há uns que vivem debaixo destas arcadas, bem antes de nascerem e muito depois de viverem, e outros, ao lado, num barraco térreo.

Liberdade e riqueza

Não importa se tens uma visão de que tudo isto é uma selva, ou se a tua ideia é a da lei, os dias não deixam de passar e a tua vida não deixa de se fazer, estejas parado, sentado, inerte, depressivo, vagabundo, ladrão, preso, açoitado, torturado, amordaçado, ou na miséria, nalguma festa, ou na praia, perto de quem queres ou solitário, no meio do mar, ou na terra solta, fica tudo uma incerteza maior se olhares para todos e aí sim, faz diferença. Mas não deixa de ser uma febre a conquista da liberdade, vivas em ditadura do que quer que seja ou já no meio da liberdade, é uma luta alcançá-la é uma luta mantê-la. Sendo eu um ladrão, mesmo que tenha roubado em miséria, para satisfazer uma necessidade, não o posso lamentar, há esse paradoxo, um gume de faca que teremos de aprender a navegar. Mas eu quero a lei, a democracia, a distribuição da riqueza, a possibilidade de vencer, nem que por um pouco apenas, para viajar com esse dinheiro, para que me seja dada um pouco de liberdade, que não seja apenas a de poder falar, não que menospreze, mas depois disso que outros lutaram, estamos nós que, para além de a manter, temos de a preservar, e de garantir-lhe que a riqueza se espalhe para que a liberdade de viajar seja mais uma liberdade possível, para que ninguém tenha de odiar para ter uma malga de sopa no colo.

Ali

Daqui para ali não saberás por onde vais, embora os sonhos e as vontades te empurrem. Mas ali pode ser um banco de jardim perdido neste planeta onde te sentas tão só como o próprio banco, tão inerte e sem esperança como esse mesmo banco.