ferida

Se vai à vida com medo de morrer ou se escreves com medo de fazer ferida… muda de sonho ou esquece a caneta

duas

uma é essa terrível maneira de não ajudar, de sair a criticar, de vaiar e humilhar o outro

a outra não me lembro

viver e morrer diversas vezes

Entre aquela e esta vida há muitas pelo meio. Vive-se e morre-se por diversas vezes numa vida apenas. Não somos a mesma pessoa ano após ano, década após década. O que eras, morreu.

rio subterrâneo

Há um rio subterrânio de desespero que ninguém deseja tocar sequer, quanto mais mergulhar e ai, nada tem sentido, nem vida nem coisa parecida. É dai que vem a bolha: imergirmos numa bolha que nos vai evitado esse rio: e a bolha pode ser moda, pode ser carros, música, ou outra merda qualquer, nem que seja, ser um detective ou uma famosa da moda. Há outros que não podem sequer aspirar a sonhos, ficam-se por garantir uma malga de arroz cada dia que passa.

sem sentido

A vida não tem sentido per si, tens que lhe dar um. ponto final

Viver é talvez procurar esse sentido, seja ele qual for, seja para roubar, matar, ajudar ou mesmo morrer pelos outros como um messias, seja por que causa for, contra ti ou a teu favor.

Nem sempre pela tolerância, generosidade, pelos outros, pelo futuro comum. Estes cães humanos são mais pelo quintal e ser melhor do que os outros.

Talvez que viver, para outros, é mais sobreviver amanhã.

Para que te alimentas se à tua volta não resta uma parede inteira, um copo inteiro?

Porque levas essa colher à boca, se não tens uma voz terna para quem te vê, mudo como um poço?

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a outra geografia

há uma geografia que descobrimos quando os entes mais queridos se vão, é a emocional. São como cordas que se partem sem fazer barulho, mas que nos encolhem essa geografia de modo drástico e duradouro, ao ponto de nos afectar também a nossa geografia física, ao ponto de nos dar um pontapé do qual não nos safamos nunca. Apenas aprendemos a circundar esse vazio, se tivermos sorte de o conseguir fazer.