escrever — Franz E.

Em destaqueescrever — Franz E.

As palavras queimam e fogem. E o escritor também. Foge a sete pés. Não se lembra de uma, que se encaixe, mesmo que retorcida esbaforida louca. Ou então cai-lhe uma vinda de não sei de onde, num momento qualquer sem lógica nenhuma. Como raio vieste tu aqui parar!? Lá se pode terminar o parágrafo, a frase, essa simpática que se deitou meliflua como seda. Ah, se isso acontece, morremos. […]

escrever — Franz E.

pai

nesse dia, fugi como um cão danado, cansado, farto, derrotado, não morreria, bem certo, vi-te os olhos, filha, era tarde, numa rua que desce, uma tristeza que afunda mais do que eu, nesses teus escuros olhos, de uma ternura jamais, uma mão pequena, um adeus leve, “quem me vai ler as histórias, pai?” Essas palavras trespassam como uma vara de ferro, sem matar, sangras pela vida toda, sem dizer a ninguém. Em silêncio. Um silêncio que não querias conhecer, nem sabias que existia.

a falta que os outros nos fazem e somos capazes de dizer tão mal deles. Desdenhar até, deles, claro. Isso naõ mudaremos. Outra esperança na paragem seguinte, e podemos até pensar que esta pandemia nos fez mudar de velocidade. Não sei se o continuaremos, talvez, era bom, mas não: a avidez da novidade faz-nos correr. Mesmo bom, que em vez de automóveis, houvessem apenas bicicletas. A velocidade é dez menos. Viveríamos dez vezes mais. Hum?

Mar

Mar

pena que estejamos a destruir isto que nos cobre os pés

artista

artista

há uma artista à espera que te vistas para viver

à espera

à espera

tudo passa, mas sabe bem termos vivido isso

outras vidas

outras vidas

Quem segue, quem se cruza, outras vidas, outros caminhos, não o esqueças, há os outros.